Sentir realização na partilha. | A Felicidade Partilhada!

Por alguns anos, segui um Guru, a quem honro todos os ensinamentos e realizações, mas recentemente chegou a uma ruptura natural. Nunca pensei que me tocasse a mim, um dia, ter um Mestre espiritual, pois sempre entendi que as respostas a todas as nossas perguntas, estão na manifestação e comportamentos da matéria – na observação da própria natureza.

Mas a vida coloca-nos nas mãos, exactamente aquilo que precisamos de descobrir e aprofundar. Ser devota deste Ser, fez-me entender o porquê, de muitas pessoas procurarem, e se identificarem com a ideia de que precisamos de um Guru, ou a rigidez e renúncia de muitas outras. Aqui ou ali, devotos de alguém ou não, todos procuramos o mesmo – Realização. Antes de muitos desejarem fortuna, fartura e poder, t-o-d-o-s queremos ser felizes. Todos queremos ser amados e amar, compreendidos e compreender.


Quando senti fechar este trabalho com este Ser, dei-me conta da ausência de algo muito importante: o meu grupo. O meu seio de vulnerabilidade. Foi então que percebi que há como que dois tipos de felicidade: individual e partilhada, que no final são uma só. Aqui interessa-me falar sobre a partilhada, pois actualmente arrisco a afirmar, que a procuramos mais do que tudo, (ainda que inconscientemente) este meio onde possamos ser autênticos e compreendidos. Num mundo, onde são cada vez mais os condicionamentos, medos, dispersão, onde o tempo parece correr a uma velocidade alucinante, a tendência a nos desalinharmos de nós próprios, faz com que a qualidade das relações sejam fracas, por termos receio de nos mostrarmos totalmente ao outro. Estamos alienados dos nossos instintos, da nossa natureza, cansados, solitários (ainda que com milhares de amigos nas redes sociais) e tristes.

Os nosso corpos estão fechados, sonâmbulos e de peito retraído. O mais lamentável é que o tempo que, parece que não temos, faz com que olhemos somente e só, para os nossos umbigos, para as nossas pequenas histórias pessoais, mas de uma maneira supérflua e pouco inteligente. Não há tempo para o outro, já não há tempo para observar, para escutar, para abraçar, cuidar e receber. Desde sempre que vivemos em tribo, está na nossa história, no nosso sangue. Somos animais colectivos, que sempre vivemos em comunidade e acompanhamos vida/morte. Somos Humanos, nós observamos, escutamos, abraçamos, cuidamos e recebemos. Este grande buraco, esta carência vestida de grandes ilusões, corrói-nos por dentro, faz não saber o que fazermos com as mãos e como olhar mais que um minuto bem nos olhos de alguém, e não é porque ficamos sem jeito, é porque no olhar profundo vive uma alma, e ela relembra-nos quem somos. 

Sim, vamos e precisamos de encontros, retiros, círculos, workshop, aulas onde nos possamos conhecer, para nos reconhecermos no outro, onde nos possamos despir sem medo. É urgente voltar a reunir e partilhar, todos no mesmo degrau, todos na mesma abertura vulnerável e relembrar que o trabalho é UM só. Afinal o que levamos nos nossos corações, quando partirmos, senão o amor que damos e recebemos?

Por: Carolina Maria | MANDRÁGORA PROJECT | Contacto: https://www.facebook.com/projectomandragora/?fref=ts

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