Relações | Em que situações é saudável ceder?

A minha ideia de relacionamentos foi mudando ao longo dos anos, acreditei durante demasiado tempo que teria que fazer um esforço para caber no mundo dos outros. Como boa libriana (signo balança) pensava que tinha que constantemente me adaptar, até que comecei a perder-me de mim: posso afirmar que poucas vezes tive amor próprio suficiente para sair de relacionamentos tóxicos, porque naquela altura acreditava que tinha uma missão qualquer ali, uma bandeira que ergui tão alto que acabei por me esconder por baixo dela.

Ao longo da minha caminhada pessoal descobri que afinal que a maior parte das minhas ideologias relativamente aos relacionamentos eram ilusórias, só existiam na minha cabeça, por outro lado eu não queria me tornar como as pessoas que atraia para a minha vida mas como atrair algo novo e melhor? Comecei a tentar perceber o que é que eu poderia mudar, aonde é que eu poderia chegar mais rápido e fazer uma mudança, o que não foi nada fácil porque a linha que separa o que somos e o que desejamos do que não desejamos ser, é bastante ténue e não era nada difícil atravessar esta linha.

Olhando para trás percebi que hoje finalmente me relaciono de forma diferente (de uma forma melhor para mim) porque tive sempre em mente o que não queria para a minha vida, e hoje a maneira como me disponibilizo para um relacionamento (profissional, amizade e de amor) é de uma forma mais consciente. Eu não tenho de servir o outro nem o outro tem de me servir.

E o que quero eu dizer com isto?

Quero dizer que as minhas expectativas eram demasiado altas e as expectativas dos outros em relação a mim sufocavam-me, retraiam-me e cortavam a minha liberdade de expressão (não quer dizer que o fizessem de forma consciente, estas pessoas apenas foram um instrumento para eu chegar a esta conclusão).

No momento em que percepcionei isto, comecei a escolher ver além do óbvio: em vez de me irritar com o outro, escolhi colocar-me no lugar daquela pessoa, e como ela estava a tentar relacionar-se comigo, sim a tentar, porque por vezes somos nós que nos boicotamos e não é o outro que não quer, simplesmente somos nós que não deixamos.

E fazer este exercício permite ter percepção de muita coisa: da vontade, do compromisso, da lealdade e do não querer. E seja qual for a opção, essa opção está certa e é válida. Às vezes tentamos agarrar algo à nossa vida, mas não nos podemos esquecer que um tango não se dança sozinho, é preciso a outra parte também querer dançar, e se a dança não existir então está na hora de largar. Simples assim. Quem deseja realmente ficar fica.

Contudo, se a dança estiver a acontecer isto obriga-nos a continuar a brincar ao jogo “colocar-me na pele do outro” e a tentar olhar-nos através do olhar do outro, ao mesmo tempo que fazemos uma análise de nós mesmos, sem vitimizações então percebemos: o que sentimos, o que não sentimos e a nossa própria atitude perante os outros e como os outros nos vêm devido a estas clausulas todas. E crescemos, percebemos que afinal o nosso bloqueio acontece porque x+y é obrigatoriamente igual a “t” e não igual a “ j + a”: Uma nova consciência sobre nós mesmos nasce e aprendemos a relacionarmo-nos de outra maneira. Uma maneira mais madura, amorosa e realmente verdadeira.

Por: Diana Faustino | Sacerdócio do Sagrado Feminino | http://sersagradofeminino.wixsite.com/sacerdotisas

Deixe uma resposta