Quarto Crescente 1 Junho | A lua crescente e a psique feminina – vamos trabalhar a permissão?

Grande parte dos condicionalismos que escuto e que observo no corpo nas sessões terapêuticas com mulheres vêm da não permissão. Os educadores, a família, os círculos sociais desde cedo focam-se em formatar as meninas a um modelo de conduta e comportamentos que espelha uma resposta tendenciosa: “tu és frágil, tu és uma tentação, tu és sábia, tu és misteriosa, tu és vida e morte”… “isso gera-nos medo, logo há que puxar da gaiola, colocar-te lá dentro e atirar a chave para longe”. De passagem, passarás a sentir medo e vergonha e, oxalá, conformas-te. Há quem lhe chame proteção e educação, eu chamo-lhe inconsciência e tudo o que traz de violência consigo.

A menina cresce, sai da gaiola e depara-se com uma sociedade que instiga a competição, que apresenta o empreendedorismo como grande tendência profissional, que carrega na estereotipação da corpo feminina e vende massivamente esta “imagem perfeita”, que diz que as mulheres bem sucedidas são aquelas que dão cartas (descabelam-se?) em todas as áreas da vida. “Tu consegues, tu podes tudo, sê feliz, realiza-te”, passa a ser o discurso. E na menina, que entretanto tornou-se mulher, emergem sentimentos de insegurança, não merecimento, desadequação e desvalorização. Ela pode ter saído da gaiola… mas a gaiola não saiu dela. E a força anímica existente para criar os seus sonhos em projetos de vida realizados (sem se descabelar!) vai-se. Nada contra uma linguagem e modelos positivos, atenção, apenas sigo a noção de que o crescimento deve começar pelas raízes, que acumulam toda a história e vivência pessoais. Tudo a favor da permissão.

Como trabalhá-la, então, desde o aspecto feminino? Seguindo o giro das fases da lua, se na lua nova o tema é o da paragem para reciclar, renovar e dar espaço para que a visão e o sentir sábios sobre o novo ciclo sejam intuidos, na sua fase crescente, que culmina no quarto crescente, a proposta é a de convocar toda esta energia fresca e revitalizada para a construção do seu projeto (uma pequena mudança de hábitos ou uma mudança profunda de vida). A mulher volta, psico-emocionalmente, a ser a menina e a jovem que têm o olhar exploratório e curioso, o coração aberto, o encantamento na alma e a alegria e excitação de estar viva no corpo, o sorriso fácil na boca e o brilho no olhar. Lembras-te dela? Ela permite-se porque é inocente (o que não significa que seja ingénua e tola) e liga-se à força criadora da vida.

Na fase crescente da lua abre-se espaço interno para a descoberta:

. Quais eram os meus sonhos quando era menina (9-12 anos)?

. Como posso ligar-me profundamente aos 5 sentidos e sentir mais e diferente?
. Quais as atividades que posso fazer autonomamente (sem o apoio e/ou a companhia de outras pessoas);
. Como posso usar a minha inteligência para aprender algo novo?
. Expressar os meus pontos de vista, assertivamente (eu posso e mereço que a minha voz seja ouvida).

Sai para o teu mundo, mulher. Ao teu ritmo mas um pouco mais, a cada dia. Ele espera-te de braços abertos!

Por: Tamar | O Mel da Deusa | Contacto: https://www.facebook.com/omeldadeusaintimidadesagrada/?ref=br_rs

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