O corpo como árvore e os benefícios do enraizamento e do centramento!

Há pessoas que são árvores. Para si mesmas, nas suas relações, para a comunidade.

Caminham com solidez, revelam estrutura interna, têm sede de crescimento, florescem como que naturalmente nas devidas épocas e materializam os seus frutos de sabedoria madura.Geralmente são também aquelas que, sem culpa e hesitação, exercem o seu direito a dizer “não” e mantêm-se alinhadas com todas as actividades e propostas que podem dar vida ao seu propósito e intenção, o seu projecto de vida.

Olha-se para elas e, em comparação, sente-se que se está longe desta assertividade e desta verticalidade. A verdade, contudo, é que com elas partilhamos a mesma anatomia.

Nesta anatomia, os pés são as raízes que lhe dão estrutura, solidez e amparo para que, através dos braços (os ramos e galhos), abra-se às experiências constantes e enriquecedoras que a vida traz, com flexibilidade e elegância. Já a cabeça corresponde à copa da árvore, a ponta e o topo que apontam para o céu, que dá clareza, propósito e direcção à visão. E que dizer da seiva interna? Ah, a seiva é a minha preferida: é o alento, a energia vital criativa, a força sexual que faz alimenta, regenera, faz florescer e expandir.

Como um todo, a árvore lembra que o tempo não é só aquele que o relógio marca, que o ritmo não é só aquele que a vida diária impõe, que o dar e o receber são o fluxo sagrado, o qual não podemos reter, que a ligação da terra e da matéria ao céu e ao espírito faz-se a partir e através do corpo – aquele que nos acompanha, que nos dá forma e nos permite cumprir os temas de vida que viemos cuidar, assim como a entrega ao prazer, à beleza da vida, à imaginação, como a árvore se entrega aos ventos que surgem.

E este é outro ensinamento rico das árvores: dançar com o vento mantendo-se no chão. Quantos de nós, em momentos de turbilhão emocional ou mente confusa perdem-se de si mesmos? Vão atrás da brisa mais forte que se levanta diante deles?

A prática diária do enraizamento e do centramento são fundamentais não só para manter a ligação ao corpo e aceder directamente às informações que ele tem para revelar mas sobretudo para conhecer a sua verdade, o mesmo será dizer, conhecer-se. Com esta dupla ligação é natural que o modus operandi de encarar os acontecimentos beneficie de uma reformulação no sentido da clareza, da simplicidade e da facilidade com que a vida passa a desenrolar-se, assim como a própria aceitação da variação entre estados emocionais, sem se prender (ou perder). É igualmente natural que se comece a sentir mais vitalidade e energia a circular internamente e uma maior capacidade de gerir como, quanto e com quem a partilhamos.
Embora complementares, estas práticas são distintas: enquanto o enraizamento é feito a partir dos pés para ligar a pessoa ao meio externo, o centramento visa renovar a ligação a si mesmo, ao seu mundo interno, através da tomada de consciência de um ponto ou área do corpo que, intuitiva e sensivelmente, é percepcionada como mais viva ou “a chamar por nós”. Em ambos, a visualização criativa e a respiração profunda facilitam e acrescem as possibilidades de ligação.

Quando se pensa no tipo de trabalho que é facultado através das metodologias de sexualidade sagrada, é comum ir-se directamente para os genitais e a nudez, o que gera reservas e, até mesmo, medo. Afinal, é isto também e fundamentalmente: possibilitar que cada pessoa relembre o seu corpo como uma entidade viva, inteligente e perfeita, tal como todas as entidades vivas da terra, sujeitas a ciclos, a fases e a ritmos que cooperam, respeitosa e harmoniosamente, entre si.
Por: Tamar |Contacto:  https://www.facebook.com/omeldadeusaintimidadesagrada/

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