Deusa Proserpina | Qual o tamanho da tua sombra?

A Deusa Proserpina é a Deusa das ervas, flores e frutos e também das essências (perfumes) mais tarde ficou com a designação de Deusa do submundo. Filha de Júpiter e Ceres, conta a lenda que foi raptada por Plutão e que este a reteve por baixo da terra para fazê-la sua esposa, até entrar em acordo com sua mãe – Ceres – que ficou furiosa com o ocorrido e descorou da sua missão, portanto cuidar das sementes e devidas colheitas, enquanto não encontrou a sua filha Proserpina toda a agricultura ficou a “meio gás” e parte acabou mesmo por ficar destruída.

Plutão, Rei dos Mortos, querendo esposar a Deusa Proserpina e sendo impaciente para esperar pela sua decisão raptou-a enquanto esta colhia flores, e levou-a para o reino dos mortos – o submundo.

Esta Deusa tão amada pela sua mãe Ceres e por Plutão foi disputada até chegarem a um acordo onde passaria metade do ano com sua mãe e outra metade no submundo, fundamentando assim o mito das estações do ano: quando a sua filha retorna-se a casa, a Deusa Ceres faria florir toda a terra criando assim a Primavera e o Verão e quando retorna-se ao mundo dos mortos a tristeza instalar-se-ia em Ceres, formando o Outono e o Inverno.

Lendas contam que a Deusa Proserpina aquando do seu rapto fez greve de fome, por forma a persuadir Plutão a deixá-la ir embora, contudo este ofereceu-lhe romã e ela comeu seis bagos. Sabendo que a romã é uma fruta que pode representar o amor e a fertilidade, Proserpina ao aceitar este fruto aceitou também este homem.

Ficou conhecida como aquela que auxiliava os vivos a procurarem ajuda no reino dos mortos.

Considero bastante interessante o facto de esta deusa alterar a sua natureza devido a um deus, portanto uma mulher que era delicada e apenas dada ao movimento pro vida, isto é, o seu foco eram as ervas e flores, frutos e perfumes, portanto algo que a natureza viva lhe oferecia e acabou por trocar isto por algo oposto.

Compreendemos que pela história o facto de existir violência (designadamente o rapto) tenhamos alguma dificuldade em aceitar o facto de ela ter aceite o presente de amor dado por Plutão, contudo se cada uma de nós olhar para a sua vida é provável que as maiores mudanças pessoais existiram quando algum homem/situação nos “obrigou” (não tem de haver necessariamente violência neste processo)  a olhar para o nosso próprio submundo.

Em diversas situações somos confrontadas com a nossa sombra, contudo poucas foram as vezes que realmente mergulhamos nesta caverna profunda de tal forma que mesmo sabendo que temos luz, portanto que fazemos parte do movimento pro vida, como Proserpina, resolvemos aceitar o que o reino dos mortos nos poderia oferecer, isto é, olhar para a nossa sombra como uma grande mestre.

Proserpina ao aceitar o presente de amor de Plutão aceitou também a sua condição de dualismo e vivenciou-o de forma pura e cíclica.

Ela podia ter escolhido definhar, mas escolheu dar uma oportunidade à sua própria sombra de se manifestar, ela aprendeu também o que havia para aprender no submundo e exerceu lá a sua missão.

Quantas vezes não tivemos nós nas nossas vidas presentes de amor que nos mostraram o nosso inferno? O convite para ver a nossa própria sombra é feito constantemente, dizer-lhe sim, é uma outra história.

Todas temos em nós uma Deusa Proserpina e ela ensina, sem dúvida a honrar a nossa sombra (ou morte) da mesma forma que honramos a nossa luz (ou vida).

Estaremos prontas para vivenciar esta sombra?

Que a Deusa Proserpina nos abençoe e auxilie nesta romaria em busca de toda a nossa dualidade.

Por: Diana Faustino | Sacerdócio do Sagrado Feminino | http://sersagradofeminino.wixsite.com/sacerdotisas

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