A importância do Pai na vida de uma Mulher!

Vários estudos científicos comprovam que no momento em que escolhemos ou nos deixamos encantar por um homem, parceiro ou pessoa amada. A partir desse momento, do momento em que somos arrebatados pela paixão, já estamos a ser dominados pelo nosso inconsciente. Portanto, a pessoa com quem nos envolvemos é uma escolha da nossa mente inconsciente, e esta escolha não é feita ao acaso. Esta é a pessoa certa para trabalharmos a nossa evolução ou amadurecimento, enquanto seres humanos.

E o que é que o nosso pai tem haver com esta história? Qual a importância do pai na vida de uma mulher? Pois bem, parece ser que no nosso inconsciente temos armazenadas as memórias, experiências, assim como, o modelo masculino que experienciamos ao longo da nossa existência. É esse modelo que inconscientemente vamos procurar, reconhecendo nessa pessoa amada (ainda que sem saber) as características positivas e negativas do nosso pai. Portanto, não será completamente estranho se os conflitos que tenhas com o teu companheiro sejam os mesmos que tens ou tiveste com o teu pai. O que vai acontecer é que o teu companheiro vai ter os aspetos que tu não gostas no teu pai. Sobre os aspectos positivos nada a dizer, já que ressoarão em ti essa verdade e tudo é perfeito porque te identificas com eles.

Sobre as características menos boas e por isso, nos atormentam aqui vai um exemplo prático e real: o meu pai é uma pessoa maravilhosa, um homem de bem, um lutador, mas que na sua humanidade tem as suas qualidades menos boas, ou que mesmo sendo boas se tornaram para mim enquanto sua filha um desafio. Pelo trabalho constante, senti que durante a minha infância o meu pai estava ausente, e ainda que presente, ausente emocional. Obviamente, isto despertou no meu interior um forte sentimento de abandono ou até rejeição, que ainda hoje reconstruo. Quase óbvio, é que os homens que passaram pela minha vida de forma comprometida, eram ausentes emocionais (fisicamente presentes, mas longe, muito longe do comprometimento diário, numa alienação que dificilmente se explica e melhor, se sente). Hoje sou consciente, um homem que se preocupa comigo, que está pendente, preocupado ou me presta elogios ou reconhece a minha grandeza enquanto mulher, é de imediato rejeitado por uma parte de mim, como se não reconhecesse esse estado, como se não me reconhecesse nele. No entanto, é por um homem que me honra que conscientemente espero. Grande paradoxo, verdade?

Por outro lado, uma outra questão se levanta não seremos nós também de certa forma ou em certo grau, ausentes emocionais. Quanto damos e entregamos aos que se cruzam no nosso caminho sem esperar nada em troca? Que proteções ou escudos ativamos na hora de nos relacionarmos? Que pensamentos se iniciam quando nos apaixonamos por outra pessoa? Medo, coragem, necessidade, força, carência, amor, insegurança, partilha, controlo? Reconhecer estes sentimentos ou emoções é mais um passo no caminho da liberdade verdadeira, a liberdade interior. Aquela que existe em nós mesmos, quer estejamos comprometidos com alguém, quer tenhamos filhos ou um trabalho, porque é uma escolha, é a verdade que existe no nosso coração. É liberdade porque escolhemos estar ali e porque conhecendo as outras inúmeras possibilidades sentimos que é ali o nosso lugar. É a liberdade porque escolhemos estar ali, porque nos tornamos responsáveis por essa escolha. Libertamo-nos quando sabermos que podemos estar em qualquer outro lugar ou com outras pessoas, mas não temos dúvidas que é só ali que o nosso coração vibra.

Este é sem dúvida um exercício que podemos aplicar a todas as pessoas que entram na nossa vida, no entanto, tendo em conta a importância que depositamos na pessoas amada, maior poderá ser a descoberta que fazemos sobre nós mesmos. Assim acontece comigo, quando comecei a descobrir quem realmente sou e o que vive em mim de forma consciente e mais difícil de forma inconsciente. Passei, nesse instante, a reconhecer a força e domínio que a nossa mente inconsciente tem sobre nós. Depois de ter sido mãe uma parte de mim começou a procurar respostas, porque toda a sombra que vivia em mim saltava para o exterior. Tendo que me dedicar quase por completo aquele ser que acabava de nascer, percebi que estava sozinha, mesmo que fisicamente estivesse acompanhada. Depois de algum tempo reconheci que esta era a sensação me acompanhava desde a infância e assim começou o caminho de descoberta.

Aqui não se trata de analisar ou culpabilizar o nosso pai, até porque essa experiência permitiu-me evoluir e superar padrões ou desconstruir o que não faz sentido para a pessoa que escolho ser. Cabe a cada uma de nós resgatar a criança que ficou lá trás, responsabilizando-nos pelas nossas escolhas do presente. Olhar para o nosso pai e ver o ser humano que ele é, reconhecer as suas qualidades e os seus defeitos vai permitir-nos reconhecer essas mesmas características no nosso companheiro. Sobretudo, nas situações que são para nós um desafio, as que fazem doer, aquelas que vem tirar-nos da nossa zona de conforto.

O perdão é uma palavra maravilhosa, olhar para o nosso pai e sentir que ele nos ama mais que tudo, é saber que independentemente dos seus defeitos e qualidades, ele é o homem da nossa vida, o que moldou a nossa perceção do masculino. Honra-lo, é honrar o amor que nos une, é saber que essa ligação é eterna e ultrapassa todos os desafios. Aceitação, é aprender a ver esta relação como um lugar onde aprendemos mais sobre nós e as nossas escolhas. Reconhecer que o nosso pai traz consigo a carga de outras experiências diferentes das nossas, que ele tem as suas próprias vontades, propósitos e crenças. Que o que ele veio realizar faz parte de si e não de nós, que tampouco temos que corresponder com o que ele próprio deseja para nós porque cada um tem o seu caminho.

A importância do Pai na vida de uma Mulher!

Sentir a certeza que no coração do nosso pai vive aquela menina, que afinal nunca cresce aos seus olhos, sentir que ali é a nossa casa o lugar onde sempre, sempre podemos regressar, onde sempre existirá um colo. Assim, assumimos a responsabilidade pela mulher consciente que escolhemos ser, identificando o que está por trás das nossas escolhas, temos oportunidade de escolher novos caminhos e é assim que esses caminhos abrir-se-ão para nós.

Por: Vera Cristina

About Viver O Feminino

Partilhar conhecimentos que vão transformar a vida das mulheres, assim como, de todo o ambiente que as rodeia. Se procuras descobrir o que é ser mulher conectada à sua essência, ligada ao mais puro e natural de si mesma, este será o local onde te conectas a ti, onde descobrirás mais e mais sobre ti e as tuas mais variadas formas.

Deixe uma resposta