O que é o Munay-ki? | Munay-ki: o legado Amoroso dos Andes

1mMunay-ki: o Legado Amoroso dos Andes

No alto das montanhas Andinas, a ancestralidade de um povo único é soprada pelo vento que, numa voz silenciosa, revela o poder dessa sabedoria. Esse povo ancestral é conhecido pelo nome Q’ero, o Povo da Aldeia das Nuvens, os descendentes dos Incas.

Os Q’ero formam uma tribo com cerca de 600 pessoas, cujos ancestrais refugiaram-se nos Andes Peruanos, para além dos 4000 metros de altitude, para escapar ao flagelo da colonização espanhola. Durante cinco séculos viveram isolados, preservando as suas tradições e rituais. Cumprindo as profecias sagradas, os Guardiões da Sabedoria partilham, neste tempo de mudança, a sua forma de ver e de estar no mundo e o modo como alimentam e curam o espírito. As profecias referem-se ao fim do tempo como nós o entendemos – a morte de uma maneira de pensar e de ser, o renascer e o resgate da relação do Homem com a Terra. Os Q’ero acreditam que este é o tempo do encontro e da reintegração dos povos das quatro direções e sabem que é no amor e na compaixão que se irá gerar a força motriz dessa união.

A mensagem deste povo traz-nos a informação necessária à construção de uma Nova Consciência baseada na Unidade e na restauração da harmonia do Homem com o mundo que o rodeia. Pelo mundo todo, são já muitas as pessoas que se dedicam ao estudo e à prática da Medicina Energética Andina, enraizada na tradição Q’ero.

Alberto Villoldo, antropólogo e fundador da Four Winds Society é um dos grandes impulsionadores desta energia no Ocidente. Após contato direto, rendeu-se à forma de estar e de ser deste povo, estudando a sua vertente xamânica. Em 2006, e com a autorização dos Xamãs Q’ero, criou o Munay-ki – um conjunto de nove Rituais de Iniciação adaptados, versões mais simples de alguns dos ritos tradicionais, para que a sua essência fosse facilmente partilhada pelo mundo.

O Munay-ki chega a Portugal em 2011, num primeiro encontro de parceria entre mim e Terri van Ommen. Nasceu assim a Munay-ki Portugal, que desde então tem realizado vários encontros, iniciando outras pessoas nesta energia.

O Munay-ki desperta-nos para uma nova perceção, em que a visão é filtrada pela energia do centro Munay – o coração. Através das transmissões energéticas e da experiência sensitiva, o iniciado recebe a vibração de cada ritual. A energia transmitida, e ancorada no corpo luminoso, traz nova informação e efetua ligações ao nível da consciência. Permite a religação do Ser à sua mais pura essência, despertando a manifestação de toda a Criação e o reconhecimento de que se é cocriador deste mundo. Cabe a cada iniciado nutrir as sementes energéticas depositadas e abrir o coração a esta riqueza ancestral, mantendo-a pura e genuína.

A energia Munay não se resume a uma emoção ou sentimento. É sim uma fusão de energia do nosso coração com a semente Inka – a ligação à consciência primordial da Criação, essa vibração presente em tudo aquilo que É – o Amor. Para que esta ligação se dê, há que existir entrega. Entrega de quem recebe e de quem transmite os rituais. Em consciência e em Ayni. Este é o alicerce da tradição mística Andina. Só assim, a energia conectada com a intenção alinha-se com o propósito em foco.
Trabalhar com esta energia traz-nos a total rendição do Eu pela fusão com o Todo. É antes de mais um trabalho de mestria com o nosso campo de energia Luminosa e com a interação de energias que estão “fora desse campo”. Há que fazer primeiro um trabalho individual. Um mergulho em si, na energia, na tradição ancestral. Reconhecer, abraçar e integrar esse processo é um verdadeiro ato de empoderamento que permite expansão de consciência numa correta relação de reciprocidade com a energia vivente do Cosmos. Mas é preciso esse abraço, esse reconhecimento. Ao se ser iniciado no Munay-ki assume-se o papel de Guardião da Terra. Um Guardião caminha com a consciência de que é parte ativa na transformação da sua vida e na dos outros. Age reconhecendo a sacralidade em si e nos outros e vive em estreita ligação com a Natureza, sentindo as suas forças.

Um Guardião alinha as suas ações segundo a energia nuclear da tradição Andina – o princípio Ayni. Manifesta de forma pura as suas intenções, constrói o seu caminho, de forma autónoma, respeitando as palavras, os símbolos e os rituais da linhagem que lhe suporta.
Receber esta informação, na sua mais pura essência, exige de nós o compromisso de a honrarmos e respeitarmos. Transmiti-la é um trabalho de consciência e responsabilidade.

A nós apenas nos resta permitir o reencontro e recordar aquilo que esquecemos, conscientes da potencialidade e sacralidade deste legado.

Por: Helena Pereira

Xamanismo Andino |  Contacto: helenadaponte7@gmail.com

Deixe uma resposta