Lições das 9 Luas

Nove transformações da Gravidez ou… o que têm para ensinar as nove Luas de gestação:

  1. Necessidade de abrandar.
    2. Tolerância para com os conselhos que o mundo tem para nós. Maior senso de gratidão, generosidade, gentileza. Confiança. Optimismo.
    3. O “eu”, torna-se nós.
    4. Vontade de se tratar/ amar/ respeitar mais.
    5. Necessidade de investigar, fazer suas próprias escolhas.
    6. Intolerância a energias negativas e ambientes tóxicos. Vontade de se isolar e selecionar os temas, as pessoas, os sons a que estamos expostas.
    7. Forte intuição, comunicação sem palavras.
    8. Capacidade de se emocionar (com tudo!!).
    9. Paciência…

E tu, como te sentes na tua gravidez, o que acrescentarias a esta lista?

Foto Lições das 9 Luas (1)
Créditos de imagem: https://www.flickr.com/photos/camilla_albano/albums

A gravidez é um momento muito especial na vida de cada mulher. O “estado de graça”, o estar “de esperanças”, o que antecede o nosso momento de “dar a luz”. Pode haver maior poesia nesta fase?
No entanto, para muitas mulheres, esta é uma fase cheia de desafios e frustrações. Alterações visíveis no corpo enquadram alterações profundas… na alma.
Ao nível físico, mas também psicológico, e sem dúvida energético, a gravidez é antes de mais transformação, e prepara a mulher para uma viagem que não terá fim – a maternidade.

Vais ser mãe para sempre.
Não é maravilhoso?

Vais ser mãe para sempre.
Não é assustador?

Ambos.

Nove luas te separam do início dessa viagem que podes sentir que começa com o teu filho nos braços, mas começa aqui, na gestação. Cada semana da gravidez, cada dia, traz para ti uma mensagem, uma lição, uma aprendizagem.

Comigo foi assim… Na primeira lua (o primeiro mês) abrandei. Abrandei tudo, o movimento, a quantidade de comida que punha no meu corpo, os planos, as saídas, a vontade de falar. Tudo abrandou. Desde o momento da concepção que fui para dentro de mim, sentindo zonas novas molhadas pelo sémen (literalmente), e desde aí vivi encantada por cada alteração mínima do meu novo corpo, e nele o meu bebé, que parecia ainda apenas imaginado.
Esta lição trouxe-a para este “Ser mãe” que vivo agora, e não termina nunca – abrandei.
Sou mãe há três anos e dois meses e muitos dos meus projectos, os que sonho e os que tenho a bater à porta, estão assim, em passo irregular. Por vezes em corrida desequilibrada como um menino que aprendeu agora a andar, outras parados, num esbracejar largo de quem quer muito, mas ainda não se pode levantar. Sim, sou bebé de novo, neste novo modo de trabalhar.

Na segunda lua, o segundo mês de gestação, começou para mim a avalanche de “opiniões”, “histórias”, “vivências”, “previsões”… dos outros! Há um espécie de sentimento de pertença… não sei que lhe chame, que faz as pessoas à volta das grávidas sentir que têm uma palavra a dizer sobre a gravidez que não é delas. E dizem.
Talvez por ser tão cheio de mistérios este estado atraia tanta “opinião”. E por muito desconfortável (até irritante) que fosse, consigo ver agora a utilidade deste processo de opiniões do exterior começar tão cedo: com ele vem necessariamente o sentimento de tolerância, e… a capacidade de tapar os ouvidos! Ambas são qualidades necessárias para a vida de mãe… Oh, todos sabemos como é fácil julgar uma mãe!
Nesta fase foi quando mais ouvi “SE a gravidez continuar, muitas mulheres perdem…” e com esta frase exercitei meu optimismo (VAI correr bem!!) e minha compaixão… por tão profunda cultura de medo.
Senti crescer em mim maior e mais profunda gratidão, pelo meu estado e pela minha vida, e maior gentileza para com os outros. Lembro-me de olhar inevitavelmente as crianças com outros olhos, e as mulheres/ mães com outra (tão nova e alterada!) visão. Ser Mãe é exercitar isso todos os dias, é possível, ter um dia que seja em que não nos sintamos gratas por este Ser que nos escolheu a nós para sua mãe…?

Na terceira lua o “eu” torna-se “nós”, e quem conseguiu manter segredo até aqui… começa a revelar para o mundo: “vou ser mãe”!
Sabia lá eu o que isto significava, de dor e de prazer; de confusão e de iluminação. Mas foi nesta fase, lembro-me, que senti, fisicamente, pela primeira vez o meu bebé dentro de mim, nadando nas minhas águas.
O “eu” torna-se “nós” e nunca mais será diferente… Ou não é verdade que quase todas as mulheres desde que se tornam mães incluem este estado na sua apresentação? Antes de qualquer grau académico, talento premiado ou paixão inultrapassável dizem: “Sou mãe”. Em algumas culturas o nome até muda depois desta iniciação. Lembro-me de ver este facto como uma perda de identidade, agora vejo-o como um ganho!

Quarta lua e vem uma necessidade de me cuidar… Uma espécie de entrada no mundo da “gravidez saudável”, onde cada actividade é estudada e cada escolha acarinhada: eu escolho ser uma grávida assim.
Este sentimento, sim, é das lições para mim que foi mais difícil de trazer para a vida de mãe – cuidar de mim. E mais do que sentir que não aprendi bem a lição durante a gravidez, sei agora que… faz parte do meu trabalho interior esta necessidade de me pôr primeiro. Com um filho é um desafio em duplo! Mas muitas vezes, da mesma maneira que na gravidez sabia com tanta certeza que descansar mais, comer melhor ou receber uma massagem, eram mimos para o meu filho, e não só para mim, também o sei agora. Ainda inspira os meus dias esta certeza de que o amor-próprio é amor pelo outro.

Quinta lua e devoro tudo o que é informação – quero saber. Não oiço os conselhos na farmácia e desconfio das dicas da vizinha. Olho para o meu próprio médico com outros olhos… e as coisas que diz têm diferente impacto cá dentro. Questiono tudo e procuro as minhas próprias respostas. Dou agora mais importância ao momento de parir e começo a escrever o meu plano de parto. Uma das maravilhosas qualidades do plano de parto é esta mesma – saber que opções tenho. Sem dúvida que é apenas o começar de um caminho de investigação, questionamento, procura constante “o que quero para mim? O que é melhor para a minha família?”. Não parou este caminho, tornou-se uma prática regular.

Sexta lua e quero isolar-me. Escolho o que faço, com quem faço. Todo o que é exterior a mim me afecta e sou mais sensível a energias pesadas ou ambientes com demasiados estímulos. Escolho.
Escolho sem medo, sem vergonha de me levantar e dizer que vou dormir, mesmo que as visitas queiram ficar mais tempo. Sem receio de ferir o outro e com maior segurança sobre do que preciso e o que desejo. Não me torno agreste, mas aprendo a desenhar os meus limites.
Preciso de referir o quanto este sentir se move e cresce no caminho de ser mãe? Floresce. “Estes são os meus limites”. Ser mãe é ultrapassa-los sim, definir novos, saber defender os que temos.

Sétima lua e a comunicação com o meu ventre e o bebé dentro dele é cada vez mais profunda e refinada. Conversamos. Literalmente. Há uma espécie de telepatia e cada gesto é vivido a dois. O meu bebé prepara-me na gravidez e para o parto, comunicando de tudo o que precisa. O meu bebé prepara-me para ser mãe.
Esta comunicação foi sempre para mim muito forte e intensificou-se ainda mais nas últimas semanas da gravidez.
Dias antes de parir caminhava todos os dias, como somos aconselhadas a fazer, mas no dia anterior ao parto não caminhei. Esse pequeno ser que era (ainda é!) parte de mim falava comigo: “descansa”. Logo depois do jantar fui para a cama, e ignorei as opiniões à minha volta “mas tens de ir caminhar! Esse bebé nunca mais nasce!”
Não, hoje preciso de descansar.
O trabalho de parto começou nessa mesma noite.

Oitava lua é a nossa “fase piegas”, como muitos chamam, e é na verdade capacidade empática. É uma qualidade, digo e repito, a nossa capacidade de nos comovermos, de nos pormos no lugar do outro, de abraçarmos sem vergonha o nosso lado sensível, honrando mesmo fragilidades. Chorar sim. Achei eu que chorei muito na gravidez? (até a ver publicidade, bolas!) mas choro muito mais desde que sou mãe. Choro de desespero às vezes, de cansaço muitos dias, e sinto regularmente os olhos húmidos de lágrimas, de felicidade, de orgulho, de deslumbre (ainda e sempre) por esta vida que criei para viver fora de mim. Uau. Deixa cair a lágrima. Há tanta beleza em chorar assim.

Paciência. A última lua da gestação in utero é para mim a lua da paciência. A lua em que as noites são longas e os dias se arrastam. A lua em que lavamos todas as roupinhas e preparamos “o saco” (ou o espaço) para o dia do parto. A lua em que todos estão em suspense e muitas vezes ouvimos “ainda não nasceu?!”; “já só está aí a engordar”; “não quer uma inducaozinha?”… (Não!). Para mim não foi o tempo do stress, foi o tempo da paciência. Nesta fase fiz um ou dois sacos e fui com o meu marido para longe dos meus familiares. Ficámos numa casa perto do mar, num quarto morno e confortável. E esperámos. Fizemos amor quase todos os dias e caminhadas, muitas. Não tivemos pressa. O meu bebé chegou no momento certo.
A gravidez existe, acredito sem sombra de dúvida, para preparar a mãe (e os que a acompanham) para mudanças irreversíveis na sua mente, corpo, e vida. Paciência também de esperar o parto, de não acelerar as águas ou forçar os tempos. Paciência. Paciência para o trabalho de parto, dure ele o que durar; a amamentação, custe ela o que custar.
As noites sem dormir, as cólicas, os dentes, as quedas, os choros… Paciência.
Há qualidade mais necessária na vida como mãe?

Sim, gravidez é um mestre, cada entusiasmo e receio, cada deslumbre e transtorno, cada medo e certeza – são teus mestres. Aceita-os.

Estas foram as lições das minhas nove luas, e a ti, que te sussurrou a Lua, Astro Mulher?

Por: Joana Fartaria

~ As Mães d’ Água são um movimento cívico inspirador que promove os benefícios (e beleza!) do Parto Natural, Na Água ~ www.maesdagua.org

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