Responsabilização | Não! Não temos que dizer sempre “Sim”

Quantas vezes dizemos “sim” mesmo quando o que nos apetece é dizer “não”? Porque o fazemos? Onde esperamos mesmo que isso nos leve? Quanto mais nos negamos – e dizer que sim ao outro quando o que queremos dizer é não, é mesmo uma grande negação de nós mesmos – mais aumentamos a probabilidade de trazer à nossa vida dissabores.

O que de facto ganhamos por nos contrariar? O que ganhamos em agir para agradar os outros? Muitas vezes o que acontece é que o fazemos inconscientemente… mas enquanto o fazemos, de alguma forma esperamos vir a ter algum ganho através dessa atitude.

E ganhamos? Talvez o ilusório apreço das outras pessoas por fazermos o que elas esperavam de nós. Talvez o conforto de não termos que assumir o que realmente sentimos, o porquê do nosso não.

Mas esse conforto é, na maior parte das vezes, apenas temporário. Mais cedo ou mais tarde teremos de lidar com o peso de nos pormos em último lugar. De pensar primeiro nos outros e só depois em nós. De ver as outras pessoas a assumirem o seu “não” e acharmos na nossa ilusão que estão erradas e que deveriam “sacrificar-se”, tal como nós. Na verdade… é bastante insano!

Esperamos que pensando primeiro nos outros, os outros pensem primeiro em nós. Mas… será que isso acontece? E será que é mesmo suposto acontecer? Não faria tão mais sentido pensarmos em nós e deixar que os outros simplesmente fizessem o mesmo? Sem esperar que alguém venha nutrir as nossas necessidades? Talvez fizesse mesmo toda a diferença!

Por: Cristina Gomes | Contacto: www.cristinagomesterapias.com

Mulheres Inspiradoras Ebba Merete Seidenfaden (Snu Abecassis)

Somos as netas de todas as mulheres que nós antecedem e das quais somos herdeiras, são mulheres de coragem, inspiradoras e que nos continuam a inspirar. Conhecendo um pouco do seu contributo, da sua força, da sua ação isolada conseguimos aprender ou re-aprender, reconhecer e relembrar a sua presença na construção do social que levaram a cabo. Como Mulheres, ouvimos, sentimos a sua palavra. São Mulheres, que lutaram com coragem e tenacidade, contra o adormecer, o silenciar, o esquecimento.
São MULHERES INSPIRADORAS, que hoje na nossa contemporânea, continuam a INSPIRAR MULHERES CONTEMPORÂNEAS
*Ilustração Circulo da Lua

 

 

EBBA MERETE SEIDENFADEN (Snu Abecassis)

MULHERES NA LITERATURA E EMPRENDEDORAS

Copenhaga,7 de outubro de 1940

Camarate, 4 de dezembro 1980

PALAVRAS CHAVE: 

Editora de origem dinamarquesa;

Fundadora da Editora nacional, atual, Publicações Dom Quixote;

O seu contributo foi notável no mundo literário, cultural e político antes e depois da revolução de abril.

Notabilizou ao publicar livros considerados de esquerda e de ideias contrárias ao regime do Estado Novo.

Por: Cristina Neves | Circulo da Lua

 

Estás disposta a ultrapassar os desafios com garra e sabedoria?

A Deusa Minerva é uma deusa romana filha de Júpiter e Prudência é representada com uma coruja nas mãos, assim sendo é a deusa romana da guerra, da sabedoria, das artes e do comercio.

A lenda conta que o seu pai engoliu a deusa Prudência, ficando com uma grande dor de cabeça e pediu ao Deus Vulcano que com o seu melhor machado lhe abrisse a cabeça e desta saiu a Deusa Minerva, já adulta com a sua armadura, escudo e lança.

A Deusa Minerva relembra-nos de pelo menos duas coisas: primeiro a sua vivacidade de guerreira e de boa estratega, que todos temos um pouco disto em nós, a questão de lutarmos pelo que desejamos, de contornar determinadas situações com estratégias bem definidas, todos temos este arquétipo bem presente na nossa vida até quando a criatividade é usada desde as coisas mais simples do dia-a-dia até à utilização da arte como expressão pessoal.




Por outro lado, esta Deusa nasceu adulta e relembra-nos que não podemos esquecer a nossa criança interior, quantos de nós crescemos e não continuamos a dar atenção à nossa criança, esquecemos de brincar, de ver a vida através das lentes cor de rosa das crianças. Este é sem dúvida o desafio que esta deusa nos traz: no meio de tanta procura pela sabedoria e por superar as lutas que travamos aonde está a criança que fomos outrora e que continua dentro do nosso coração?

Os desafios e apertos da vida não nos podem fazer cegos por forma a não ver quem realmente somos, senão naturalmente começamos a perder as nossas próprias bases. O convite desta deusa é ultrapassar os desafios com garra e sabedoria mas não esquecer que dentro de nós existe uma criança que merece ser respeitada, mimada e acarinhada.

Por: Diana Faustino | Sacerdócio do Sagrado Feminino | http://sersagradofeminino.wixsite.com/sacerdotisas

Menstruar na Lua Nova ou na Lua Cheia, o que diz sobre ti?

O nosso corpo é um dos nossos melhores, maiores e sábios guias e está constantemente a dar-nos informação sobre o nosso estado emocional, espiritual ou físico. Por isso, menstruar na lua cheia ou na lua nova poder da-te alguns sinais de como está o teu estado emocional na fase em que te encontras. Que a menstruação chega na fase da lua cheia diz-se que está no ciclo da lua vermelha e a ovulação acontece no corpo feminino, na lua nova. Quando a menstruação chega na lua nova, está no ciclo da lua branca, portanto é na lua cheia que atinge o auge da fertilidade.

O que significa então menstruar na lua vermelha ou na lua branca?

Menstruar é limpar o nosso corpo, é libertar um óvulo não fecundado para dar lugar a um novo ciclo. A fase da lua que dita em recomeço é a lua nova, assim, se a mulher está neste ciclo de lua branca, isto indica que ela está energicamente mais capaz de expressar a sua criatividade e capacidade de nutrir a sua vida. Esta mulher está mais voltada para o exterior, para o cuidado com os outros, está envolta de uma força maternal. A mulher que vive no ciclo da lua branca divide o seu poder o seu amor com o próximo, tem o arquétipo da mãe.

Se menstruamos na fase da lua cheia isto indica que quando atingimos o auge fértil estaremos na lua nova. A energia da lua cheia de recomeço acontece banhada não pela nossa criatividade senão pela limpeza do nosso corpo. Simbolicamente, isto pode significar que a mulher está a curar-se interiormente, ou seja, a energia da lua nova, da criatividade, ficará voltada para o nosso interior, indicando que a mulher está mais voltado para o seu auto conhecimento. Diz-me que a mulher que está no ciclo da lua vermelha é a bruxa, a feiticeira, a maga, porque está na busca e conquista do seu poder.

Dependendo da necessidade da sua alma a mulher poderá ao longo da sua vida oscilar entre estes dois ciclos, de lua vermelha ou de lua branca. Tudo está certo e terá o seu motivo para acontecer… Aproveitar cada ciclo, da fase da vida, é viver o fluir e respeita a nossa natureza divina. Quem dita o ciclo em que nos encontramos serão os nossos objectivos de vida ou de alma. Estar atenta ao nosso corpo, permite-nos escutar esta sabedoria que está muito longo do que podemos e conseguimos controlar.

Por: Vera Cristina

O meu diário de libertação! | Transformação da mulher livre.

Foto: Lieve Tobback

Lua Cheia, lua das conclusões, dos conseguimentos, dos ciclos que se fecham… ajuda-me a fechar os olhos – não para que não vejam, na cegueira que pode negar, mas para que confiem sem necessidade de confirmar… para que repousem sobre o trabalho feito, para que possam, na próxima Lua Nova, começar o novo.

Este mês com as mães d’água celebramos o tema da libertação – #umaLibertacaoPorDiaNaoSabeOBemQueLheFazia – e eu decidi juntar-me, mantendo desde a última Lua Nova um diário das minhas libertações diárias, hoje decido agrupá-las aqui. Que possam dar asas a quem necessite de voar em corajosas libertações, e que inspirem raízes em quem deseja ficar, plantar, regar suas magias.

Comecei na Lua nova, com uma oração de manifestação:

Lua Nova, lua dos começos, abençoa a minha vida com coisas novas/ puras/ positivas/ maravilhosas/ fantásticas para mim! Que seja assim (ou que seja o melhor para o bem superior) Aho!

Hoje sou grata pelo amor que recebo, todos os dias, vindo de mim e de outros à minha volta, sob as mais variadas formas. Hoje confio que o Universo toma conta de mim, e que não há razão possível para receio ou dúvida. Hoje aceito o meu Caminho sem julgamento, e também os que caminham comigo, não julgando também as suas opções. Hoje coloco a minha mão, sem peso, sobre as coisas/ eventos/ ou pessoas que me magoaram, e liberto-me delas, deixando o que já não me serve, e libertando-os também. Hoje abro o meu coração para o que mereço. Aceito, abraço e convido abundância, amor, alegria, celebração e prazer para a minha vida. Hoje escolho. Hoje Liberto. Hoje convido. Hoje sou Amor. 27/03

Hoje não deixo a dúvida minar os meus pensamentos mais livres (sim, com asas). Não me ocuparei mais, em nenhuma área da minha vida, dos caminhos que se arrastam em círculos pantanosos – de resistências, de resinguices, de jogos de “ter razão”. Hoje não tenho medo das horas que passam sem que consiga produzir, criar ou “conseguir”. Hoje desisto de insistir. Escolho a paz que vem de não insistir. Respeito os tempos dos ciclos, das estações, das fases, das luas, das relações, hoje vi borboletas, crisálidas e casulos, inspirador! Hoje aceito o elogio que vem do mundo, que me ama, com um sorriso grande. Hoje não duvido da meu valor. Hoje celebro a intenção de ser melhor, mas ainda mais a acção de mostrar melhor. Hoje não me deixo ser cruel, displicente, ou negativa. Escolho dormir assim, hoje. 29/03

Hoje…. Vou Deixar que a minha impaciência e irritabilidade se transformem em criatividade (e se não funcionar tomar um copo de vinho). Hoje eu vou olhar para as relações com coragem para ler as suas dinâmicas – sem me deixar perder nem em paixões nem em raivas – e ser grata pelas lições que trazem, aceitando também a minha capacidade para as receber/ entender e libertar. Hoje não me vou forçar a nada. Hoje não vou cobrar de ninguém nenhuma satisfação, afago, ou mesmo responsabilidade. Hoje não vou temer a dúvida, nem ser dura com alguma fragilidade ou insegurança (venha de mim ou dos outros). Hoje vou acarinhar os meus sentimentos mais doces, e também os mais sombrios (ambos precisam do meu Amor). Hoje vou confiar, respirar fundo, sorrir, e esperar. Hoje vou abraçar árvores, e dormir a sesta (pelo menos tentar). Hoje Grata por hoje 31/03

Hoje liberto-me da expectativa. Não porque não sonhe, não deseje, não planeie, mas porque escolho pôr de lado o perfeccionismo e me aceito como sou, e aos outros, tal como são. Escolho dar as mãos aos que me nutrem e “convidar para a tenda” os que me olham amorosamente, e dentro dos quais o coração bate ao mesmo som do meu. E escolho deixar. Amorosamente – respeitosamente, e com gratidão – escolho deixar para trás os que não me honram, não me vêem, não me nutrem (não me merecem até). Não os deixo por serem “maus”, estarem “errados”, ou até por não serem merecedores (sei que são. Todos somos.) mas porque ser eu, cuidar de mim, amar-me, é escolher. Escolho-Me. Avanço. Posso até avançar na sombra – que as libertações são feitas também dela – mas avanço de olhos abertos. Tão abertos. Hoje escolho assim. 01/04

Hoje não comparo. Hoje não deixo que as “opiniões” criem tensão em mim. Hoje vejo as intuições que ignorei, a sabedoria que disfarcei, a primeira impressão que não escutei. Sem mágoa – mas sem desculpa também – Hoje vejo assim. Hoje ajudo-me a ser mais honesta comigo, e a querer agradar – sim, sempre – a mim, antes de qualquer outra pessoa. Hoje releio as 100 coisas que amo em mim (lista que fiz há uns dois anos, já fizeste a tua?) e acrescento mais algumas Hoje escolho assim 02/04

Hoje re-vejo padrões na minha vida. Hoje escolho não depender de nada nem de ninguém para me sentir amada, estar feliz, ou em paz. Hoje escolho dar, dar sem pedir nada em troca. Dar porque transborda, e não por criar essa necessidade. Hoje escolho assim. 03/04

Hoje não questiono, não especulo, não “penso mil vezes antes de fazer”, não antecipo, não “assumo que”. Hoje sou mais simples do que isso. Hoje sinto, sem deixar à razão muito espaço de manobra. Hoje não componho, romantizo ou embelezo (mesmo que signifique não criar, ou não produzir muito). Hoje tento ser simples. Hoje não processo sentimentos (duros ou amorosos), hoje não escolho nada. Hoje respiro fundo, e deixo que o dia flua. Hoje não defino muitos “objectivos” e revejo-me nessa liberdade, não para registar, mas para viver. Hoje estou assim. 04/04

Hoje sei que não importa o que faço, como faço, se sou produtiva ou não, se ganho dinheiro, se estou arranjada. Chega até a não ser importante (é importante, mas não determinante) com quem estou. Hoje sei que Viver dias felizes, isso importa. Hoje deixo que cada tarefa diária, cada gesto rotineiro, seja veículo de cura. Como? Estando completamente presente em cada momento (não consigo sempre, mas hoje tento). 05/04

Hoje liberto-me do sentimento de culpa de pensar em mim, primeiro em mim. Hoje cuido-me. Hoje acredito no Amor, não me deixo fechar, não fico amarga, não tenho medo. Hoje celebro alegrias com vontade. Hoje apanho sol. Hoje vou ver o mar. 06/04

Hoje sei que a pressão que sinto às vezes – tantas! – não vem dos outros mas de mim. Sou eu mesma que estou a ser demasiado exigente comigo. Hoje perdoo-me por isso, e aceito que é um processo (é como limpar a casa, tem de se ir fazendo, nunca está feito, e aceitar que não tem fim… é essencial). E as rotinas – eu e as rotinas – as rotinas necessárias (saudáveis até, dizem alguns), que eu tenho tanta dificuldade em apreciar, ou em abraçar até. (Uma das lições que me trouxe a maternidade foi este cuidado pelas rotinas, mas é cuidado que ainda estou a aprender.) Hoje escolho viver as rotinas de modo amoroso, vivo cada gesto como um ritual sagrado, danço cada intenção e aceito – porque acontece – cada frustração que vem. Não vendo a frustração como um castigo, mas como um amigo que me vem falar de um lado sombra meu. 07/04

Hoje celebro. Vou ver o mar e não tenho medo de falar com yemanja. Hoje vou abraçar tribo, pessoas que me apreciam, que admiro, que sinto em sintonia com o meu Eu mais puro e aberto. Hoje deixo-me derreter com os sorrisos que surgem tão naturalmente nos rostos. Hoje não me afasto dos que sinto até não-sintonizados comigo, mas próximos. Hoje aceito que o carinho ultrapassa isso. E acarinho. Hoje acarinho. Hoje celebro o Amor que recebo, e a Felicidade do que vivo Agora alimenta-me. Deixo que ela tome o primeiro plano na minha vida, não entregando energia ao que já processei, deixei, arrumei. Hoje escolho assim. 08/04

Hoje responsabilizo sem me vitimizar. Refiro falha, sem culpar. Hoje afasto-me da dinâmica vítima/ abusador. 09/04

Hoje. Hoje, apesar do cansaço, vou ser paciente. Hoje, apesar de frustração, vou sorrir. Hoje, apesar das inseguranças, vou confiar. Hoje, apesar da dor de cabeça, vou sentir-me bem. Hoje escolho assim. (10/04)

E tu, de que te escolhes libertar, hoje?

Por: Joana Fartaria | ~ As Mães d’ Água são um movimento cívico inspirador que promove os benefícios (e beleza!) do Parto Natural, Na Água ~ www.maesdagua.org

Maternidade | Ser mãe mudou a minha liberdade!

Antes de ser mãe era professora de yoga, e adorava! Adorava praticar e adorava partilhar a minha experiência. E a minha intenção era (e é) continuar a melhorar a minha prática cada vez mais!

Eu descobri que estava grávida no dia 1 de Janeiro – Ano novo, vida nova! – e na semana anterior tinha escrito as minhas resoluções para o novo ano. Grande parte delas estava relacionadas com o Yoga… Por exemplo, queria estudar mais os Vedas, queria melhorar as minhas invertidas (a minha grande dificuldade na prática física), queria voltar a fazer um Vipassana (meditação do silêncio) e queria começar a planear a minha volta para a Índia.

Escusado será dizer que… todos os pontos da minha lista ficaram adiados, afinal, as prioridares transformaram-se. A minha prática pessoal mudou e muito, mas não da forma como eu tinha planeado. Fazer invertidas deixou de ser a minha grande dificuldade na prática (continua a ser um desafio!), agora o desafio é conseguir praticar com um filho sempre presente. Várias coisas foram surgindo, várias vezes me fui reinventando.

No ano em que pensava voltar a fazer um Vipassana tive que aprender que às vezes encontrar um “espaço para mim” não significa parar e isolar-me, não significa o incenso a queimar, nem a música ideal a tocar e eu sozinha a fazer Asanas no meu tapete… – É claro que isso é mais do que bem vindo e muito apreciado! – Agora, um espaço para mim às vezes podem ser umas simples respirações de olhos fechados, só o tempo suficiente para voltar à minha interioridade. E uma hora sozinha no tapete sem barulho sabe igual a um retiro!

Por agora estou numa fase em que faço a minha prática rodeada de brinquedos e com um “pequeno macaquinho”, que alterna entre trepar para cima de mim, fazer das minhas pernas uma pista de carrinhos ou pedir maminha.

Não é propriamente a ideia que eu tinha de uma prática pessoal, mas é a minha realidade estes dias… E sabes que mais? Gosto dela! Sinto este “novo yoga” como uma libertação, um novo modo de ver a minha vida, e a minha prática. Os meus planos de Retiro ou de retorno à Índia ficaram adiados (não esquecidos, só adiados).

E tu, que revoluções e reviravoltas aconteceram na tua vida desde a tua gravidez? De que te libertaste?

Por: Rute Ferreira | ~ As Mães d’ Água são um movimento cívico inspirador que promove os benefícios (e beleza!) do Parto Natural, Na Água ~ www.maesdagua.org

Importância da união do Feminino | A magia dos círculos de mulheres!

Be Still Photography

As mães d’água vão começar Rodas de Mulheres, espalhadas um pouco por todo o país!

Quando mulheres se juntam em círculo elas fazem magia! Lembramos a Roda com Anne Sobotta, no passado Agosto, no Algarve, onde passámos uma tarde inteira a viver cumplicidade com mulheres que não conhecemos, apenas por ouvir as suas histórias.

Cada partilha, cada história, cada bebé a chegar a este mundo de forma diferente – todas preciosas. A todas a nossa atenção ficou presa. A mãe que teve o bebé no carro a caminho do hospital (UAU) – a garra daquela mãe! A mãe que teve tantas e tantas horas tentando um parto de uma bebé que olhava a lua – a persistência que ela tinha! A mãe com o parto na água – é sempre tão bom encontrar outra mãe d’água e outro bebé peixinho! A mãe que foi mal-cuidada pelo sistema nacional de saúde, mas que lambeu as suas feridas, se refez da experiência e no parto seguinte se muniu de informação, encontrou a sua Doula, e melhorou a sua experiência. As mães de bebés na barriga, de olhar atento, tentado aprender e saber mais sobre o que aí vem. As mães que não falaram, mas que se partilharam no seu silêncio. E as Mães d’Água. Estivemos lá, falámos da nossa missão e da paixão que nos move, e no final… no final sabemos que tocámos outras, há um sentir que fica no ar (e que uma mãe consegue por em palavras): em todas fica a vontade de parir na água!

Mas uma Roda de mulheres é muito mais do que um falar sobre o parto (pode até nem ser dirigida a mães) mas antes um espaço para estarmos todas juntas, partilhando histórias, conhecimento, dúvidas. Todas juntas tecendo teias.

Assim, unidas, vamos mais longe. Só assim vamos conseguir trazer de volta o poder do parto às mulheres. Só em roda – prática tão ancestral, vinda do tempo em que as mulheres se reuniam à volta da fogueira trocando sabedoria entre si – nos podemos empoderar, a nós mesmas e a outras, vendo-nos mais fortes, permitindo-nos ser mais fortes.

Depois de uma Roda, com todas as presentes ficamos a sentir uma ligação de irmandade – não que me sinta mais cúmplice de uma mulher que é mãe do que de uma que não é, nada disso! Mas a sensação de partilha, de presença genuína, de ausência de rivalidade, a sensação – ou antes, a certeza! – de que quando nos unimos chegamos mais longe, alimenta-me! Também te alimenta a ti?

“Somos um círculo dentro de um círculo sem começo e sem fim”. Canção tradicional dos círculos de mulheres norte-americanas

Sabias que as mães d’ água muitas vezes se juntam, em círculo, e há sempre… Magia? Uau, desta vez foi assim: encontro das #maesDagua no Algarve, com imagens UAU de Fátima Vargas

As maesDagua vão finalmente começar as tão ansiadas Rodas de Mulheres! Rodas de partilha, rodas de celebração, rodas feitas de carinho, e apoio, e água… água que move, água que cura, água que transforma, água que recebe todas, sem excepção.

Gratas a todas as que estiveram presentes, gratas a todas as que vamos abraçar já na primeira Roda de Abril! De coração cheio! ~ Mães d’ água Créditos fotográficos:

~As Mães d’ Água são um movimento cívico inspirador que promove os benefícios (e beleza!) do Parto Natural, Na Água ~ www.maesdagua.org

Nutrição | Sabes como alimentar o teu corpo na Primavera!

A Primavera chegou com toda a sua delicadeza, cores que nos falam da vida, e uma força extraordinária pronta a nos nutrir com toda a sua generosidade.

Esta estação de transição, onde as temperaturas de dia são muito mais altas mas há ainda algumas noites frias, pede-nos que façamos também uma transição na nossa alimentação. Uma vez mais não podemos deixar de estarmos atentos ao que a Natureza nos dá, aos alimentos que nos rodeiam, e termos a consciência que se quisermos incluir alimentos fora da nossa cultura, que estes funcionem enquanto nossa cura e contribuam para o nosso equilíbrio.

Tentem encontrar uma rotina de forma a comprarem os vossos alimentos nos mercados, ou a pequenos produtores vossos conhecidos (familiares, ou amigos), ou ainda encomendar cabazes de hortícolas biológicos, sempre que possível.

Aqui, por terras transmontanas, respira-se esta energia feminina que nunca termina, numa das minhas estações preferidas.

As Amendoeiras (ou Prunus amygdalus dulcis) transformaram as suas flores em pequenos frutos a brotar, as Cerejeiras (ou Prunus cerasus vulgare) já estão a florir, as

Giestas Brancas (ou Cytisus multiflorus) relembram-nos da pureza e candura deste ciclo natural, a Giesteira das Vassouras (ou Cytisus scoparius) aquece-nos com as suas flores amarelo torrado… O planalto mirandês enche-se de pontinhos brancos das flores das Estevas (ou Cistus ladanifer) desabrochadas, e o verde vivo dos lameiros traz-nos sempre a esperança, ao mesmo tempo lembrando-nos de quão é importante nos sabermos nutrir.

Alimentos sugeridos e sua propriedade de cura.

Na Primavera, de forma a lidarmos melhor com a mudança da temperatura, fazemos uma transição na escolha dos cereais que vamos começar a comer. ~ Incluímos o Amaranto (ou Amaranthus hypochondriacus) que apesar de ser originário da América Central, é um cereal que contém mais 18% de proteína que o trigo comum, devido à sua combinação de aminoácidos, fazendo deste um dos cereais mais completos. Ainda contém mais ferro, mais cálcio e mais fibras que o trigo comum. É ainda um cereal de eleição para os celíacos.

A sua natureza é refrescante por isso recomendada para esta época do ano.

Pode ser usado para engrossar molhos e sopas, e ainda tostado – aquecer uma panela sem óleo, quando estiver quente, deitar uma colher de sobremesa de sementes de amaranto, tapar e ir rodando em círculos levantando ligeiramente a panela, e parar quando deixar de ouvir as pipocas, verter para uma taça e repetir o processo quantas vezes necessárias. É um bocadinho “trabalho de chinês”, mas no final compensa! As pipocas devem ficar todas branquinhas – transforma-se numa espécie de “pipoca” que pode ser adicionada a bolas energéticas, muesli, granolas, barras de cereais e saladas.

A Aveia (ou Avena sativa) é de natureza quente, por isso aconselhada apenas para as manhãs ou noites frias e húmidas e pela sua alta quantidade de proteínas e vitaminas do complexo B, para momentos em que precisemos de gastar muita energia. Os Hunos alimentavam-se de papas de aveia e os escoceses atribuem a sua força física ao “porridge”.

Atenção que é estimulante da tiróide e pessoas sedentárias devem evitar o seu consumo, pelo acumular das mucosas. Contém uma hormona próxima de foliculina por isso age sobre a esterilidade, a frigidez e a impotência, além de ser afrodisíaca e desinibidora.

Em cataplasma é recomendada para dores como lombalgia e nevralgias, para tal a que tostar a aveia em seco, colocá-la em sacos e colocar sobre as partes com dor. Pode fazer-se também um cataplasma quente fervendo a aveia em vinho ou vinagre e depois aplicando.

A Cevada (ou Hordeum vulgare) é o cereal de eleição na Primavera. É de natureza refrescante e bastante terapêutica. Além disso é nutritiva, anti diarreica, digestiva e benéfica para pessoas com problemas de fígado. Aconselhável aos sedentários porque destrói os mucos (ao contrário da aveia). De acordo com os ensinamentos sufis uma sopa de cevada é aconselhada a pessoas com febre.

A farinha de cevada facilita a digestão dos açúcares por isso é aconselhada para as primeiras papas dos bébés e para acalmar perturbações digestivas causadas pelo leite de vaca. Para dores nos seios, aplicar cataplasmas de farinha de cevada peneirada com água de rosas. Combina-se muito bem com as courgetes, um legume de primavera/ verão. Pode ser consumida em flocos, em grão – cozinha-se como o arroz e pode ainda ser salteada com legumes, ou também em bebida solúvel nas manhãs, como substituto do café. Combinado com raiz de chicória tostada, também esta solúvel, é um excelente estimulante para as manhãs.

O Milho Miudo, Millet (ou Millium effusum) é outro cereal de eleição para esta época. Isto porque é o cereal mais rico em vitamina A (vitamina da regeneração celular, crescimento e anti infeccioso). Rico ainda em silício, magnésio, manganês, flúor, fósforo e ferro é altamente recomendável no pós-parto e a crianças.

Tem natureza refrescante e é altamente alcalino.

Fortalece ainda o sistema genital feminino, apenas ter em atenção porque também é estimulante da tiróide, logo, não aconselhável a pessoas com doenças auto imunes. Tem ainda propriedades anti diarreicas. É útil para as náuseas e enjoos matinais e em mulheres com predisposição para abortos. Pode-se comer em forma de polenta, ou em grão salteado com legumes, tipo empadão, croquetes ou hamburgueres veganos, ou ainda em papas com fruta para as manhãs. Também é outro cereal de excelência para os celíacos.

A Quinoa (ou Chenopodium quinoa) é outro dos cereais mais completos. É particularmente rica em lisina (útil para os vegetarianos) e em arginina e histidina, duas substâncias essenciais para os bébés. Outro cereal recomendado para celíacos, a quinoa ainda é um excelente tonificador para os rins e reforça todo o corpo.

A quinoa é aconselhável na alimentação infantil (ou deficiente em proteínas), e na gravidez (onde haja necessidade acrescida de proteínas completas, minerais e vitaminas) e ainda na amamentação.

Pode ser utilizada em sopas, purés, cozida como arroz, em flocos ou croquetes e hamburgueres veganos. Na saúde feminina, de todas as sementes as de sésamo são as mais recomendadas para as futuras mamãs, ou mulheres que amamentam. O sésamo em sementes – brancas ou pretas, em pasta ou gomásio) desencadea ou aumenta a lactação.

É ainda eficaz para perdas vaginais, esterilidade funcional e na gravidez. Para fazer gomásio basta tostar as sementes numa frigideira em lume baixo. Pressionar com a ponta do dedo e quando as sementes deixarem de colar no dedo, estão prontas, que é quando ficam douradinhas. À parte, noutra frigideira tostar sal marinho. Moer tudo num moinho ou liquidificadora, e guardar num lugar frio para não rançar. O gomásio pode estar sempre presente na nossa mesa, e acompanhando o arroz integral baixa o índice glicémico deste.

O verde vivo das Alfaces (ou Lactuca sativa) dão vida às nossas hortas e oferecem-nos a sua natureza refrescante para melhor nos adaptarmos a subidas repentinas de temperaturas nesta estação. Além disso a alface tem efeito calmante (comida ao jantar favorece o repouso), atenua menstruações dolorosas, e é ainda estimulante do leite materno.

Segundo os Antigos, consta que a alface é “não afrodisíaca” e tomada em excesso corrompe o esperma, daí chamarem-lhe a “planta dos eunucos”.

A Beterraba (ou Beta vulgaris rubra), outra nossa grande aliada desta estação, além de ser bastante eficaz em casos de anemia, dissolve ainda fibromiomas.

Convém que a beterraba seja consumida maioritariamente crua, porque cozida 75% das suas virtudes são destruídas. Em sumo, numa cura de três semanas ou mais combate as insuficiências sexuais e é estimulante do sistemas imunitário.

Para quem gosta de Favas (ou Vicia faba), e está grávida, estas são uma excelente fonte de ácido fólico. Convém tirar a pele, pois esta contém taninos.

Desfrutem desta época cheia de cores e vida que nos convida a largarmos o velho, e a entregar-nos à energia criativa e regenerativa desta Mãe que nos sustenta a cada dia que passa. Sejamos também nós generosos com ela. Esta é uma época em que podemos ainda plantar árvores, apoiar projectos que visam a sustentabilidade e regeneração da Terra. Esta pode ser uma forma de devolvermos a ela, o que estamos constantemente a tirar sem consciência, sem pensar nas consequências.

Sejam criativas e criativos na forma de elaborar as vossas refeições, por vezes “menos é mais” e ainda, coloquem em cada momento que cozinham, o melhor tempero de todos – o amor incondicional e transformem o acto de comer numa partilha de prazer.

Fonte: Guia dos Alimentos Vegetais, Jean Claude Rodet.

Alertamos que estas dicas não pretendem substituir nenhum tipo de diagnóstico médico ou qualquer tipo de tratamento, em caso de dúvida aconselhamos complementar-se esta info com um profissional de saúde. ~ (imagens de Lieve Tobback)

Por: Joana Martins | ~ As Mães d’ Água são um movimento cívico inspirador que promove os benefícios (e beleza!) do Parto Natural, Na Água ~ www.maesdagua.org

Entrevista Mariana Falcato Simões | Doula, Activista de Parto e da Vida, e Mãe d’Água

Mariana Falcato Simões

 

A Mariana é Doula, Activista de Parto e da Vida, e Mãe d’Água. Comecei a nossa conversa sabendo que o nosso Mundo precisa de Mudança, saí com a certeza de que nós vamos conseguir – amorosamente e persistentemente – vamos conseguir faze-lo. Ela inspira-me Liberdade!

Se pudesses escolher um episódio da tua vida que seja significativo para te teres tornado activista do parto humanizado, qual seria?

Hummm… eu acho que no fundo eu sou uma activista, de alma e coração, de várias causas, pelo exemplo dos meus pais. Portanto, à partida, a educação que eu tive, e a vivência dos meus pais deram-me esta atitude de não me calar, de me questionar, de pensar, de não dar as coisas como dado adquirido. E essa atitude veio desde sempre, aliás, eu olho agora para a minha filha, e ela já vai no bom caminho! (risos)

Mas, em relação ao parto, sem dúvida que o activismo virá da primeira formação que eu fiz. Foi uma formação em Sintra com o Ricardo Jones, a Ana Cris Duarte – que na altura ainda não era parteira, era doula – e a Angelina Pita, que é psicóloga, e organizada pela Catarina Pardal. Na formação estiveram quase todas as doulas formadas em Portugal na altura (entre elas as fundadoras da Associação de Doulas de Portugal). Eu, dessa formação, numa penada só, fiquei a conhecer uma série de gente da humanização do parto. E fui lá ter completamente por acaso! Eu tinha-me despedido porque sim, porque achava que não estava feliz e que não era por ali. E tive uma amiga que me disse: “Eu não sei porquê, mas tu tens que ir a esta formação” (ela nunca mais fez nada na área do parto, era professora de yoga e fazia aulas para grávidas), a mãe dela fazia preparação para parto e elas iam as duas ao curso. E eu fui também! Eu fiz uma série de descobertas nesse curso, assim a mais importante de todas era que o

parto não era como eu imaginava – não era o parto, o parto era super fácil, natural e perfeito, mas…

… parir em Portugal, não era como eu imaginava.

Eu imaginava que a grávida se apresentava no hospital, paria, e ninguém a importunava. Pensava que era tudo fácil e respeitado. Descobri que não.

Muitas das pessoas que participaram nesse curso tinham tido histórias muito más dos seus primeiros partos, e tinham encontrado este caminho numa busca de “explicações”. Pela desgraça que lhes tinha acontecido tinham sentido que não podia ser só esta a realidade e tinham ido à procura de outras alternativas e encontraram a humanização. – Eu, graças a Deus, encontrei a humanização ainda antes de pensar em engravidar. – Eu aprendi com essas más histórias, com a inspiração que era aquela equipa do Brasil (e com o que já se fazia no Brasil! Isto foi em 2007, mas no Brasil já tinham um longo caminho na humanização, enquanto que nós estávamos a começar a falar do assunto) e foi essa formação que me deu este rumo.

Quando decidiste ser Doula, foi nessa formação?

Sim, foi nessa formação. Eu apaixonei-me pelo tema e percebi aí que, dos vários papéis que existiam ali à volta do parto, o que fazia mais sentido para mim, e o que eu queria era ser Doula. Queria acompanhar a mulher, dar-lhe ferramentas para aproveitar este evento e potenciar-se ao máximo. E encontrei, realmente, na gravidez e no parto, um dos grandes eventos em que a mulher se permite ser mimada, se permite ter tempo. E isso para mim brilhou de uma maneira especial.

Tu perguntas-me de “ser Doula”, mas acho que encontrei outra coisa aí, que só percebi uns anos mais tarde, que foi o Meu activismo feminino. Eu aí encontrei o “meu feminismo”. Eu sempre fui feminista obviamente, acreditava na luta feminista, mas havia coisas que não me faziam muito sentido… eu não as sentia – como por exemplo, aquela coisa de termos que trabalhar muito, de estarmos equiparadas aos homens, aquilo não me fazia muito sentido – o feminismo fazia-me sentido, mas não era bem “aquilo”. Descobri então esta vertente que era o feminismo de Ser Fêmea.

O que é que é ser fêmea?

Nós já não sabemos muito bem do que é que andamos à procura – que é uma coisa um bocado tonta – e ainda por cima eu tinha uma mãe activa, super trabalhadora, super profissional (foi aí que eu fui educada, no valor pelo trabalho), e permiti-me descobrir esta vertente do que é ser fêmea, do que é ser cíclica, do que é ter tempo para estar, ter tempo para alimentar os nossos filhos, o gerar, o criar. E isso tocou-me de uma forma incrível, percebi que este é que era o feminismo que me fazia sentido e que eu queria defender.

O feminismo de “deixem-nos ser mães!”. Nós não vamos produzir menos, mas deem-nos tempo! Deem-nos condições para termos uma gravidez descansada e para aproveitarmos a gravidez, condições para estarmos em casa com os nossos filhos enquanto eles ainda precisam de nós – eles não vão precisar de nós até aos 18, mas se calhar dois, três anos, se tivéssemos apoio era super positivo as crianças poderem contar com a sua mãe!

Termos tempo de reforma quando estamos em casa, termos descontos. E esse activismo de “deixem-nos ser fêmeas, verdadeiramente fêmeas” fez-me enveredar por este mundo da humanização, e fiz cursos e comecei a estudar como doula.

Um feminismo não de oposição, mas de valorização.

Na altura comecei também a despertar para um caminho espiritual e comecei a entender exactamente isso, nós não estamos a opor-nos a nada. Porque é que nós nos estamos a equiparar aos homens? Não faz sentido nenhum! Não somos iguais, nunca vamos ser (e, eu pessoalmente, nem quero!) A minha luta não é essa, a minha luta é para potenciarmos as melhores características de cada um de nós, e vamo-nos complementar e fazer um mundo melhor, com homens e com mulheres. Isso é que me faz sentido, a inclusão, e o perceber os papéis que cada um está a desempenhar – que quer desempenhar – quais são os seus dons, e potenciar isso mesmo.

Falavas nos dois/ três anos mínimos que um filho precisa de uma mãe, isso no fundo vai criar uma base de sociedade diferente. Não é só um activismo feminista, é um activismo social, não é?

Sim! Neste momento, já só me considero activista e ponto. Há uma série de coisas que mexem o meu coração. Eu agora vejo-me a trabalhar muito na área da educação, também, e sinto mesmo que assim vamos à raiz!

Se nós tivermos uma gravidez de ouro estamos a dar uma boa saúde emocional, mental e física às crianças que nascem. Se nós dermos um bom pós-parto estamos a dar uma boa experiência – tanto à mãe como ao filho – e a ajudar a criar laços afectivos.

Quando olhamos ao “emocional e afectivo” ajudamos a criar crianças estáveis e fortes emocionalmente, com uma boa autoconfiança. Daí ser importante nos dois/ três primeiros anos termos tempo para a criação da personalidade daquele ser. São os anos de ouro! Aos 18 anos nós já não vamos fazer nada, podemos ter conversas sérias, mas já não conseguimos fazer nada.

Então, realmente, são sementinhas! Dificilmente se eu plantar um maracujá irá nascer uma pêra. É tão simples quanto isso.

Acredito que sim, que se dermos atenção às mães e aos pais, se dermos apoio às nossas crianças, vamos criar uma sociedade que vai ser mais amorosa, que vai ser uma melhor sociedade. Vamos criar um mundo melhor.

Como te descreverias como Doula?

O meu blog era: “A Doula Tola” (Risos)

Eu considero que não sou uma Doula muito técnica. Claro, no princípio estudei muito, estudei tudo, e tinha as coisas mais na ponta da língua. Agora não é essa a minha postura. Há Doulas que são mais técnicas e há mulheres que procuram Doulas mais técnicas (e se uma mulher que me procura quer essa parte mais técnica, claro que tenho forma de lhe fazer chegar essa informação), mas acima de tudo eu acho que a minha grande ferramenta é a empatia, é perceber o que é que é preciso, quando é que é preciso. Depois, muitas das vezes, nos meus acompanhamentos nem é preciso! As mulheres estão a viver as suas gravidezes tão bem que não precisam de nada.

Eu costumo dizer que os meus melhores acompanhamentos são num serviço de “Speed Doula”. Eu faço muitos acompanhamentos de amigas (porque eu onde vivo, em Vila Real, tenho muito poucas mulheres que me contratam) e depois acaba por não ser um verdadeiro acompanhamento, é aquela coisa “in between”. Como estão muito longe de mim eu também não consigo fazer o acompanhamento presencial a essas amigas, então encontramo-nos para almoço, e está feito! E parece que tudo se resolveu naquele almoço, que tudo ficou falado, tudo ficou esclarecido. Eu não sei como, não sei porquê, mas funciona!

Claro que já fiz outros acompanhamentos, e acompanhamentos mais profissionais, que são acompanhamentos ao longo da gravidez toda, e em que se usam outras ferramentas.

Mas, na verdade eu acho que o trabalho (da doula) é empoderar aquela mulher, é ela não precisar de mim como Doula! Não há interesse nenhum em eu estar muito presente. Se ela não precisa de mim como Doula, o meu trabalho foi bem feito!

É ela viver convicta na sua gravidez, empoderada, fazer o que lhe dá gozo, curtir a gravidez, e, obviamente, saber que tem alguém que a acompanha se ela precisar, se ela tiver dúvidas, se ela tiver um momento mais em baixo. Ela sabe que eu estou ali. Mas eu acho que o empoderamento é a questão principal. Depois, o que eu sinto em relação às questões mais técnicas, mais informativas, ou mesmo psicológicas, que vão surgindo, é que se há coisas emocionais e psicológicas que surgem durante a gravidez que limitam de alguma maneira o teu processo, elas têm que ser tratadas e faladas, para tu conseguires ultrapassar essa questão, mas não é naqueles nove meses que vais resolver toda a tua vida! A tua relação com a mãe, a tua relação com o pai, a tua relação com o teu próprio parto, a tua relação com o teu companheiro… isto é uma avalanche de questões. Claro que podem surgir, e se forem limitativas tens que falar delas, vais aproveitar essa questão que aflorou na tua gravidez, mas não vais andar a escarafunchar à procura de coisas “porque tem que se resolver não vá o parto correr mal por causa disso”. Não! Desejavelmente tiveste uma vida toda em que foste conseguindo resolver um ou outro nó, e vais continuar a tua vida toda a resolver outros, e o parto, se possível, vai ser uma altura super importante para tu também desatares mais uns nós, mas não vais procurar questões que não interessam.

Dizias que acompanhas muito amigas porque em Vila Real não tens uma carteira muito ampla de mulheres que recorram a uma Doula. Achas que é difícil aceitar o acompanhamento de uma Doula fora dos grandes centros (e mesmo nos grandes centros)?

Eu conheço muito pouca gente que viva exclusivamente desta actividade, existem algumas, poucas, e são de grandes centros. Sim… se calhar nos grandes centros têm mais trabalho porque há mais mulheres… Eu não faço ideia se vai dar ao mesmo ou não. Aquilo que eu conheço “cá em cima” é que as mulheres não querem pensar sobre o assunto, não põem sequer a hipótese, desconhecem – ou do pouco que conhecem, acham que não lhes interessa – têm muitos pré-conceitos, muitas ideias que acham “Não é para mim porque não vou parir em casa.”; “Não é para mim porque…”. Mas de uma maneira geral eu acho que é uma actividade que está em crescimento. (Espero eu…) Claro que também é desejável que os serviços melhorem…

Ainda que uma Doula, na minha opinião, seja sempre a cereja no topo do bolo. Eu tive dois partos, tive duas Doulas, tive sempre a Doula a acompanhar-me e digo a todas as pessoas que acho que é mesmo a cereja no topo do bolo.

Tu podes ter 20 pessoas ali, mas a relação que tu crias com a tua Doula é muito importante.

Agora, também é desejável que os serviços tenho uma qualidade que muitas mulheres, estas tais mulheres que não sentem necessidade de ter uma Doula… – ainda agora aconteceu uma amiga que eu ia acompanhar, que entretanto decidiu que quer só estar com o marido! Se o serviço for tão bom que ela se sente capaz e com vontade de estar na sua intimidade de família, óptimo! O problema é quando vais para um serviço, e não sabes muito bem para o que vais… e isso é mais problemático.

O que é que te inspira como Doula?

As mulheres! As mulheres são incríveis! (E os homens também…!) Realmente eu tenho uma enorme crença que todas as mulheres conseguem parir “no matter what”! E acontece, mesmo ao ver alguns acompanhamentos mais difíceis – com histórias de vida difíceis, e situações e alturas da vida difíceis… e que ainda assim vejo que é possível! Eu por exemplo pari o meu segundo filho em casa, e a minha mãe estava com uma doença terminal em minha casa, e não era uma questão.

Para nós mulheres, quando é para fazer, é mesmo para fazer! Nem todas claro… Mas se olharmos de uma maneira geral, nós temos uma força tão incrível, temos uma capacidade de andar para a frente, de continuar o caminho – depois temos aquelas altura do mês que estamos muito tristes e que o mundo é um lugar horroroso (risos), somos cíclicas lá está!

Como Doula, no trabalho de parto tu vês a mulher a superar-se, e isso é ganhar crença na humanidade! Mesmo! Se elas conseguem fazer isto, se eu consegui fazer isto, nós conseguimos tudo! E é incrível!

Eu adoro estes movimentos das mulheres, quando as mulheres se juntam fazem coisas incríveis! Agora, nem sempre nós conseguimos, por muitas razões, porque temos imenso trabalho, porque estamos a tomar conta dos filhos, porque temos horários, famílias… então, nem sempre surge esse ímpeto.

Por exemplo nesta altura, tu vês a marcha das mulheres contra o Trump a nível mundial, e olhas para aquilo e não tens dúvidas nenhumas que se nós continuarmos com aquele nível de energia, eu nem sei onde é que ele vai parar!

Nós somos mesmo uma força criadora, uma força geradora.

Os teus dois partos foram muito diferentes um do outro?

Não, foram muito parecidos. Foram muito rápidos. Foram gravidezes curtas. Foi tudo rápido!

No primeiro eu ainda consegui ir para a banheira. Foi tão rápido que não consegui encher a piscina de ar mas consegui encher a banheira de água e entrar. No segundo parto foi tão rápido que eu, pelo sim pelo não já tinha a piscina cheia de ar, mas não a consegui encher de água! E pari antes de encher o que quer que seja de água. Foram em casa, foram perfeitos como é o parto.

Para mim foi um grande choque o primeiro parto ser rápido. A minha expectativa de parto era o vídeo da Naoli Vinaver, o “Birth Day”, em que ela entra em trabalho de parto, vai passear com a família, come um feijoada, depois toma banho… não sei quanto tempo é que aquilo dura, mas dura! E a minha expectativa era essa! O meu parto na minha cabeça demorava 24 ou mais horas, o meu fotógrafo ia de Lisboa (imagina!) e eu ia passear para o parque de Vila Real (o problema é sempre a expectativa) depois eu pari em quatro horas. Foi um parto que, para primeiro parto, não teve a duração comum. A Naoli diz que já houve muita gente a dizer-lhe “você estragou o meu parto”, precisamente por causa da imagem que o vídeo deixou nelas.

Do meu nascimento, ou seja, o parto da minha mãe, eu não tinha referência porque a minha mãe foi muito anestesiada, o parto foi muito medicalizado, eu não sabia como tinha sido. E eu fiquei a sismar naquilo: “Porque é que o meu foi tão rápido?”. E obviamente também a trabalhar a minha expectativa, porque eu queria um parto em que pudesse sentir tudo, estava inspirada também pelo filme “Parto Orgásmico”, queria sentir o processo todo.

O segundo parto foi igual. Percebi então: “Sou eu!”. Eu podia ter 20 que iam ser todos assim, é a minha forma de parir. Eu tenho os partos que se deseja a toda a gente, com “uma hora pequenina”. Tenho esses partos, mas a verdade é que eu nunca fiz “toques”, por exemplo. Eu nunca soube qual é que era a minha dilatação, eu não faço ideia se no dia antes eu “já estava com 3cm”, ou se não tinha centímetro nenhum, não sei, eu nunca tive essa informação. É completamente diferente de uma mulher que lhe fazem um toque e ela tem 1cm, e ela começa logo na expectativa de que vai parir no dia seguinte. Eu nunca tive isso. A realidade é que a característica dos meus partos é a rapidez. “Speed Doula”, eu disse! (risos)

Consegues pôr por palavras a sensação de veres um bebé nascer?

Hummm… acho que não consigo passar para palavras a minha sensação de ver um bebé nascer porque acho que é sempre muito diferente. Depende muito da mulher, depende do processo que ela passou até chegar ali, depende do parto, depende da história dela. Há uns que me emocionam mais, há outros que me fazem rir.

Mas a minha visão do parto é a de que somos um canal. Nós estamos a receber uma alma, e todo o nosso ser vai dilatar durante o parto para receber aquela alma. E eu sinto isso durante o parto. É a chegada! Visualizar aquela mulher como um feixe de energia que está a dilatar para por ela poder passar uma alma. É uma coisa tão bonita. E é o que eu sinto que acontece verdadeiramente.

Eu só acompanhei partos em casa – mentira, agora já acompanhei um parto no hospital de Vila Real. Que também foi muito bonito – mas, quando elas estão a fazer vocalizações, tudo está aberto! A boca está aberta, o coração está aberto, a vagina está a abrir. Tudo é um canal! E realmente é muito bonito!

O teu envolvimento com as mães d’água, como começa?

Acho que fui eu que me ofereci! Eu não pari em Setúbal, mas já pertencia à Associação de Doulas de Portugal. Nunca pertenci à HUMPAR – que era a associação na altura que trabalhava na humanização do parto – mas participei no congresso, e na verdade já nos conhecíamos todas.

Desde 2007 que eu tinha muito presente esta questão do activismo pela humanização do parto, mas nunca tinha “funcionado”, nós nunca tínhamos chegado a lado nenhum. Éramos “as loucas”, éramos “as freaks”, éramos “as hippies”… não conseguíamos chegar a lado nenhum – era incrível! É que nem sequer às mulheres nós conseguíamos chegar, assim em massa – fazíamos congressos, fazíamos encontros e éramos sempre as mesmas caras.

Quando apareceram as Mães d’água, surgiu uma coisa incrível, que ainda não tinha acontecido até à altura, que foi o facto de o movimento surgir pelas mulheres! – não surge pelas Doulas, nem pelos enfermeiros, surge pelas mulheres!

Logo que surgiu cresceu, exponencialmente, porque é uma necessidade que as mulheres entendem muito bem.

As fundadoras (do movimentos Mães d’água) são mulheres que sentiram na pele as vantagens de um parto respeitado, e com acesso à água, portanto defendem isso até ao tutano. Sentem que têm de se lutar para que outras mulheres possam ter aquela hipótese. A Inês Anjo na altura escreveu um texto muito sentido que dizia “Se te tirassem a epidural tu não ias lutar porque tinhas direito a ela? A mim tiraram-me a minha epidural…”

É realmente uma coisa que lhes vem das entranhas. O movimento tem, desde o início, a força das mulheres, é transversal – já não são só “as freaks”, é apoiado por toda a gente – e por essa razão (não sei se por um bocadinho de moda do parto na água também) alastrou, foi um movimento que começou muito activo.

Eu acho que mandei um email a dizer: “o que possam aproveitar do meu “know how”, do meu conhecimento, aproveitem! Acho que é um movimento super válido e gostava muito de poder contribuir.” E foi assim que eu entrei para mães d’água. Eu não sou fundadora, as fundadoras foram (maioritariamente) mães que pariram em Setúbal.

Qual é o teu sonho para o Parto em Portugal?

O meu sonho para o parto em Portugal é que o parto esteja nas mãos das mulheres, e aí cabem todos os partos. Não é um sonho para “o parto”, é um sonho para “Os Partos”, para que cada parto seja aquilo que aquela mulher desejou. Que seja uma vivência única dela, e respeitada, claro.

Aqui cabem todos os tipos de parto! Não me interessa se é em casa, se é no hospital, isso são questões geográficas. O que me interessa é que aquela mulher possa descobrir o poder que ela tem. Que possa confiar no seu corpo. Que possa perceber que o seu corpo gera uma criança a partir de uma pequenina célula, que o seu corpo produz leite para amamentar aquela criança, que o seu corpo tem um poder imenso quando estamos a parir. É a magia da vida! Tudo está certo! Só tens que conseguir olhar para dentro, olhar para o teu coração, olhar para as emoções que estás a viver, perceber quais são as tuas vontades – o que é que está a ser respeitado ou não.

Eu acho que isso vai revolucionar o mundo! As mulheres descobrirem a força que têm; fazerem-se ouvir (que é igualmente importante para os homens, mas não sei qual é o evento que pode determinar isso); saberem-se respeitar; saberem respeitar-se umas às outras; terem orgulho na mulher que está ao lado – que tem a mesma força. Isso é mais uma peça revolucionária no mundo.

Tu saberes que há partos que são desrespeitados, num serviço qualquer, e saberes que lá pelo meio há mulheres, ouvires descrições violentíssimas feitas por mulheres, dói muito! Não consigo entender. Claro, são as histórias das pessoas, mas não é aceitável. Não é por aí… não é esse o caminho que eu quero trilhar, quero trilhar o outro, ao lado. Quero trilhar o caminho para que as mulheres tenham orgulho nas capacidades das suas irmãs. E que todas nós todas juntas possamos empoderar-nos umas às outras. Às vezes, até estão a ser fofinhas para a mãe, mas a conversa é assim: “oh mãezinha, a mãezinha não quer epidural? Olhe que daqui a nada vai precisar!”. Aquela “mãezinha” não tem cinco anos – eu não faço isso com os meus filhos de cinco anos! Eu dou-lhes as hipóteses, eles escolhem e arcam com as consequências – tu estares as tratar as “mãezinhas” como crianças que não são ouvidas, não são tidas em conta, e tu sabes sempre mais do que ela, ainda não está lá! Pelo menos não é violência…

Porquê o parto na água?

O parto na água porque – voltando ao tal activismo que não estava a fazer com que saíssemos do mesmo sitio há anos, da humanização do parto, em que as doulas defendiam que queriam acompanhar dentro dos hospitais, os enfermeiros defendiam outra coisa… cada um defendia a sua ideia (sendo que todos defendíamos a humanização, obviamente…) – … o parto na água tem uma coisa espectacular, que é o ter em si a possibilidade de abolir imediatamente uma série de intervenções, de uma penada só, simplesmente porque não são possíveis.

Não é possível por exemplo fazer uma episiotomia a uma mulher que está dento de água. Uma mulher que está dentro de água não tem epidural.

Uma mulher que está dentro de água não pode ter uma manobra de kristeller (fisicamente não é possível! Bom… imagino que se calhar algumas pessoas ainda se iam esforçar…)

Mas, na verdade, há outra coisa importante, que é: a opção de parto na água vai trazer novas necessidades de formação para as equipas. Vai ter que haver uma actualização, as equipas vão ter que ir adaptando a sua prática, e com isso – tenhamos fé – irão trabalhar cada vez melhor, pelo facto de estarem a ter formação contínua dentro desta metodologia.

Mais, a piscina é uma fronteira, é o perímetro do espaço da mulher. Finalmente, consegues ter um espaço privado para a mulher estar a parir. Com luz, sem luz, não sei… se calhar não vai ser perfeito nos primeiros tempos… mas a mulher deixa de estar escancarada numa mesa obstétrica para cada pessoa que entra ter o panorama global. Os toques também se tornam mais difíceis, passas a ter que te molhar, a ter que te debruçar sobre a piscina. Todas estas intervenções vão, no mínimo diminuir (ainda que não desapareçam, talvez, algumas).

É por isso que eu sinto desde o início que este movimento tem aqui uma série de coisas geniais: Tem a força das mulheres; Tem esta metodologia (que na verdade é só uma metodologia, não é um fim em si).

Há muito a moda de “ahh parto bom é parto na água”. Não! Parto na água é uma metodologia, é uma abordagem não farmacológica ao alívio da dor – também não precisamos de o por nos píncaros, se não passei pela piscina, ok, tudo bem, não pode ser o objectivo final do parto passar pela piscina, também não faz

sentido – mas na verdade esta metodologia, esta ferramenta, pode ser um salto quântico na qualidade do atendimento ao parto em Portugal.

Fala-me do teu projecto Lua de Alecrim?

A Lua de Alecrim também é activista! (Risos) A Lua de Alecrim foi fundada para aglomerar os cursos que nós já íamos fazendo, e que estavam todos essencialmente relacionados com o Parto (Preparação para o parto, educação perinatal com o Ricardo Jones…) a certa altura sentimos necessidade de ter algo formal, com uma figura jurídica. Depois, como estamos em Vila Real, a Lua de Alecrim foi evoluindo para outras coisas – porque, lá está, lá não há muita gente que me “compre este peixe” – então, a Lua foi evoluindo para outras coisas, mas estes temas continuaram sempre a ser abordados. Já conseguimos, com a Barbara Harper, por exemplo, uma coisa que há muito tempo queríamos, que era organizar cursos dentro dos hospitais.

Ou seja, sempre tivemos cursos para Doulas, profissionais de parto ou público em geral, mas um dos meus objectivos era poder vender a formação aos hospitais, e poder ser uma formação interna dos hospitais mas dada por profissionais internacionais. Com a Barbara Harper já conseguimos chegar aí, e foi muito boa a participação. [Foi a formação de Parto na Água no Hospital Garcia da Orta (nós só produzimos, a formação foi organizada pelo hospital).] Essas formações são sempre organizadas fora de Vila Real. Em Vila Real abrimos o tema da educação e das crianças, começamos por organizar actividades para crianças (como campos de férias por exemplo) mas lá está, o objectivo último também é activista!

Também é mudar um bocadinho o paradigma de como olhamos para a criança, de como vemos o seu desenvolvimento, e em última análise o paradigma escola – o que é que se está a fazer, o que é que nós queremos que seja feito. Lá temos organizado actividades directamente para as crianças, já organizamos também um seminário para a comunidade (professores e pais). Este ano vamos organizar o segundo seminário. E temos aí mais umas coisas que espero que saiam ainda em 2017. Porque 2017 vai ser O Ano!

Entrevista realizada por Rute Ferreira | ~ As Mães d’ Água são um movimento cívico inspirador que promove os benefícios (e beleza!) do Parto Natural, Na Água ~ www.maesdagua.org

Abraçar o Mundo | Já amaste hoje?

Amar e ser amado acaba por ser uma forma de arte.

É necessário permitirmo-nos amar, tal como é crucial permitirmo-nos ser amadas(os). Tenho-me cruzado com pessoas que sentem medo de se entregarem. Medo de se mostrarem genuínas. Medo de reconhecerem a sua própria luz. É necessário haver entrega para que o amor flua livremente, como um pássaro levando alimento às suas crias.

Não é fácil aceitar esta essência! Não é fácil reconhecer esta capacidade de transformação que amar nos oferece! Sentes um misto de sensações. É como se os teus pés se movessem em passos lentos e, repentinamente, começassem a saltitar. Mudas a maneira como vivencias a caminhada. Páras. Olhas ao redor. Vês cada gota de orvalho cair; cada fio na teia da aranha.

Cada passo assume uma importância maravilhosa. Cada olhar; cada sentir.

Percebes que a vida é muito mais do que o sopro de ar que chega aos teus pulmões. Percebes que existe um querer estar; um querer fazer parte de todo o processo. Nessa altura, brota a semente da criação! Sentes vontade de contribuir com a tua arte, com a tua entrega e presença. Começas a Ser amor. Começas a fluir na linguagem do Universo. Sentes a liberdade que amar te proporciona. A liberdade em escolheres os passos que queres dar na tua vida; a liberdade de te descobrires e de abraçar quem realmente és!

Esta energia é a mesma que cria raiz no ventre da mãe. É o amor que acarinha, que abraça, que respeita. É o amor que liberta. É o amor que oferece o seu corpo para receber outro Ser. É o amor em forma de dádiva! Aprendendo a Ser mãe, mas sem ainda ser!

Por: Liliana Brandão | ~ As Mães d’ Água são um movimento cívico inspirador que promove os benefícios (e beleza!) do Parto Natural, Na Água ~ www.maesdagua.org

Liberdade | A falta de liberdade encoberta na sociedade!

Liberdade é uma palavra a que nos habituamos a ouvir desde tenra idade. Quanto mais não seja quando aprendemos a história do nosso país, na escola primária. Porém, quando aprendemos, nas escolas, o que é a liberdade, muito fica por dizer!

Liberdade não se trata “apenas” – referindo-me às Mulheres – de ter direito ao voto; de receber salários iguais aos dos homens. Há muito mais a abordar e a questionar, quando se fala da liberdade das Mulheres. Há meninas que ainda são mutiladas em países africanos; Mulheres, nossas irmãs, que são vítimas de trabalhos forçados, de abusos sexuais e de diversos outros tipos de violência. Isto em várias partes do Mundo.

E esta “falta de liberdade”, não acontece apenas em países sub-desenvolvidos. Pelo contrário! Se formos a ver, na Europa e em outros países ocidentais e ditos “desenvolvidos”, existe algo que reprime completamente as Mulheres: a imagem. Os meios de comunicação social, as revistas, os ginásio, apelam para que as Mulheres – sim, as Mulheres! – cumpram um determinado padrão físico. Um padrão considerado aceitável. Quem não estiver dentro das medidas certas, não tem um corpo bonito!

Estamos no ano de 2017. Muito tempo, portanto, após a criação deste Mundo. Ainda faz sentido vivermos nesta sociedade patriarcal? Porque é que a publicidade exige que as Mulheres cumpram os “requisitos mínimos” mas, quanto aos homens, não existe essa pressão (e ainda bem!)? Avançamos a passos largos para uma mudança de consciência global, mas ainda há muito trabalho para fazer!

A sociedade ocidental castra a liberdade da Mulher. Porém, fá-lo com um charme subtil, disfarçado de modernidade, de avanço.

Esta sociedade ensina as adolescentes a seguirem a moda, para serem aceites nos grupos a que querem pertencer; ensina as crianças a quererem este e aquele brinquedo que viram no anúncio da televisão, porque é “o mais giro!”; ensina as mães e os pais a comprarem tudo feito, já que é mais rápido e fácil (mesmo que não seja o mais saudável para as crianças).

Muito se pode falar sobre este tema: liberdade! A liberdade da mãe que nem sempre é respeitada – inclusive por outras Mulheres e Mães. Ou porque ela amamenta e o bebé já não deveria mamar, ou porque ela habitua mal a/o filha/o com tanto colo. Há sempre uma opinião formulada na mente de quem rodeia as mães.

O mesmo acontece quando se fala de Mulheres que ainda não são mães… frases como: “Ainda não és mãe? Mas daqui a pouco já és velha de mais para o ser!”; “Se eu fosse a ti dava corda aos sapatos. Não caminhas para nova!”; entre outras relíquias intemporais!

A evolução tem-nos oferecido tantas coisas boas, mas é extremamente crucial ensinarmos as crianças a aprenderem a respeitar o espaço e a forma de Ser dos outros. É importante ensinarmos-lhe, como educadores, como pais, que a liberdade começa aí! E mais importante é percebermos – nós, os adultos – que a melhor forma de ensinarmos é através do exemplo. Dizer algo e fazer o oposto, não funciona! As crianças vão imitar o que fazemos e não que lhes aconselhamos fazer.

Por: Liliana Brandão | ~ As Mães d’ Água são um movimento cívico inspirador que promove os benefícios (e beleza!) do Parto Natural, Na Água ~ www.maesdagua.org

Somos liberdade! | Sabes o que é sentir-se livre?

Quando nos movemos pelas paixões que nos incendeiam a alma e nos guiam o caminho, entramos num horizonte de amplitude e expansão, num sentir de partilha e, consequentemente, no silêncio que nos habita e se faz ouvir de dentro.

Nesse olhar atento, nesse ouvir e calar, Somos.

Somos pedra, árvore, lago e céu.

E expressamos aquilo que somos na liberdade que nos cabe.

Expressamos aquilo que somos na liberdade que nos permitimos…

Abre-se estão espaço à consciência do reflexo daquilo que somos.

Somos imperfeitos, e nesse momento conscientes dessa imperfeição.

E é aqui, neste ponto da viagem, que se empreende o lavor de nos suavizarmos e entrarmos em harmonia com as águas, que em catarse, se movem em nós.

Libertamos peso, apagamos as linhas concêntricas que se formam à superfície, serenamos…

Desenvolvemos a noção consciente da imperfeição que nos carateriza.

Nesse reconhecer nasce para o mundo, como uma flor aberta nas suas pétalas de verdade, a alforria aguardada, a harmonia que se alenta de dentro para fora de nós…

Respiramos assim uma estranha e familiar plenitude de liberdade.

E livres, vamos fluindo pelas margens da vida, na partilha dessa fluidez.

E sem procurar, chega até nós aquilo que necessitamos para respirar.

Sem nada mais procurar, somos aquilo que necessitamos respirar.
Somos o ar que respiramos. Em liberdade…

 

Deusa Proserpina | Qual o tamanho da tua sombra?

A Deusa Proserpina é a Deusa das ervas, flores e frutos e também das essências (perfumes) mais tarde ficou com a designação de Deusa do submundo. Filha de Júpiter e Ceres, conta a lenda que foi raptada por Plutão e que este a reteve por baixo da terra para fazê-la sua esposa, até entrar em acordo com sua mãe – Ceres – que ficou furiosa com o ocorrido e descorou da sua missão, portanto cuidar das sementes e devidas colheitas, enquanto não encontrou a sua filha Proserpina toda a agricultura ficou a “meio gás” e parte acabou mesmo por ficar destruída.

Plutão, Rei dos Mortos, querendo esposar a Deusa Proserpina e sendo impaciente para esperar pela sua decisão raptou-a enquanto esta colhia flores, e levou-a para o reino dos mortos – o submundo.

Esta Deusa tão amada pela sua mãe Ceres e por Plutão foi disputada até chegarem a um acordo onde passaria metade do ano com sua mãe e outra metade no submundo, fundamentando assim o mito das estações do ano: quando a sua filha retorna-se a casa, a Deusa Ceres faria florir toda a terra criando assim a Primavera e o Verão e quando retorna-se ao mundo dos mortos a tristeza instalar-se-ia em Ceres, formando o Outono e o Inverno.

Lendas contam que a Deusa Proserpina aquando do seu rapto fez greve de fome, por forma a persuadir Plutão a deixá-la ir embora, contudo este ofereceu-lhe romã e ela comeu seis bagos. Sabendo que a romã é uma fruta que pode representar o amor e a fertilidade, Proserpina ao aceitar este fruto aceitou também este homem.

Ficou conhecida como aquela que auxiliava os vivos a procurarem ajuda no reino dos mortos.

Considero bastante interessante o facto de esta deusa alterar a sua natureza devido a um deus, portanto uma mulher que era delicada e apenas dada ao movimento pro vida, isto é, o seu foco eram as ervas e flores, frutos e perfumes, portanto algo que a natureza viva lhe oferecia e acabou por trocar isto por algo oposto.

Compreendemos que pela história o facto de existir violência (designadamente o rapto) tenhamos alguma dificuldade em aceitar o facto de ela ter aceite o presente de amor dado por Plutão, contudo se cada uma de nós olhar para a sua vida é provável que as maiores mudanças pessoais existiram quando algum homem/situação nos “obrigou” (não tem de haver necessariamente violência neste processo)  a olhar para o nosso próprio submundo.

Em diversas situações somos confrontadas com a nossa sombra, contudo poucas foram as vezes que realmente mergulhamos nesta caverna profunda de tal forma que mesmo sabendo que temos luz, portanto que fazemos parte do movimento pro vida, como Proserpina, resolvemos aceitar o que o reino dos mortos nos poderia oferecer, isto é, olhar para a nossa sombra como uma grande mestre.

Proserpina ao aceitar o presente de amor de Plutão aceitou também a sua condição de dualismo e vivenciou-o de forma pura e cíclica.

Ela podia ter escolhido definhar, mas escolheu dar uma oportunidade à sua própria sombra de se manifestar, ela aprendeu também o que havia para aprender no submundo e exerceu lá a sua missão.

Quantas vezes não tivemos nós nas nossas vidas presentes de amor que nos mostraram o nosso inferno? O convite para ver a nossa própria sombra é feito constantemente, dizer-lhe sim, é uma outra história.

Todas temos em nós uma Deusa Proserpina e ela ensina, sem dúvida a honrar a nossa sombra (ou morte) da mesma forma que honramos a nossa luz (ou vida).

Estaremos prontas para vivenciar esta sombra?

Que a Deusa Proserpina nos abençoe e auxilie nesta romaria em busca de toda a nossa dualidade.

Por: Diana Faustino | Sacerdócio do Sagrado Feminino | http://sersagradofeminino.wixsite.com/sacerdotisas

Desilusão | Porque sofremos tanto nos nossos relacionamentos?

Porque sofremos tanto nos nossos relacionamentos? Porquê? O que nos leva a esperar tanto das pessoas que connosco partilham uma história?

Porque subitamente nos sentimos tantas vezes tão frágeis e tão sensíveis nos contextos mais íntimos da nossa vida?

Colocamos demasiadas expectativas. E quanto maior a ilusão que vamos alimentando sobre algo ou sobre alguém… maior a desilusão. Na verdade a palavra “desilusão” significa isso mesmo: perder a ilusão.

Quanto nos iludimos acerca dos outros? Quanto nos iludimos acerca do que os outros têm para nos oferecer?

Porque esperamos tanto, tantas vezes tão desesperadamente, que os outros preencham as nossas lacunas, os nossos vazios, as nossas necessidades, e nos façam sentir plenos de felicidade? Na verdade… esse papel compete-nos apenas a nós. A mais ninguém. Esperar que alguém chegue à nossa vida e nos faça feliz… é (para não dizer outras coisas) pelo menos uma grande ilusão.

Podemos partilhar momentos, investir e construir uma história bonita com alguém, desfrutar de uma felicidade conjunta mas… a felicidade antes de mais precisa ser encontrada dentro. Se estivermos felizes e preenchidos com a nossa vida, com muito mais facilidade encontraremos alguém que vibre na mesma energia.

Se estivermos em carência, desejosos de encontrar a nossa “cara-metade”… talvez encontremos outra pessoa que esteja tão perdida como nós. Desejosa de encontrar alguém que a satisfaça, a preencha, lhe elimine o vazio que sente dentro… e o que irá acontecer? O mais provável é que ambos coloquemos demasiadas expectativas sobre a relação e sobre a outra pessoa. Expectativas que, muito provavelmente, acabarão mais cedo ou mais tarde defraudadas…

O que fazer?

Vamos curar dentro de nós esta ferida da solidão, que nos faz sentir tantas vezes desligados da vida e dos outros. Vamos curar dentro de nós as mágoas que ainda carregamos dentro de nós em relação a tantas histórias que vivemos no nosso passado. Vamos observar e reconhecer os padrões que temos vindo a repetir nas nossas relações. Vamos abrir-nos para viver a nossa vida e os nossos relacionamentos de uma nova forma: mais liberta, consciente e feliz!

É possível! E na verdade… está mesmo nas nossas mãos essa escolha e essa possibilidade.

Por: Cristina Gomes | Contacto: www.cristinagomesterapias.com

Entrevista Tamar | Socióloga | Formação e Mentoria em Desen. Pessoal e Sexualidade Sagrada

Tamar

Tamar – Socióloga, Formadora Comportamental e Educadora de Sexualidade Sagrada, criadora do projecto “O Mel da Deusa – Sexualidade sagrada” reúne igualmente recursos nas áreas de movimento e consciência corporal, tantra, sagrado feminino e mitologia, narração de histórias, escrita criativa, performances, yoga do riso, reiki e cura prânica, as quais convoca para a nutrição da sua alma e do seu corpo, assim como para os trabalhos que coloca ao serviço das pessoas.

1. O que é a sexualidade sagrada?

A sexualidade sagrada é a ligação ao divino (vida, fonte, força, luz, deus/deusa, o que fizer sentido no sistema de crenças de cada um) dentro da pessoa, com a parceria, com a vida na terra e os planos multidimensionais de existência. É uma das vias de ligação mente-corpo-espírito, como o yoga, a meditação, a oração, entre outras, em que o corpo e a energia criativo-sexual são o principal foco, o ponto de partida e de retorno.
Pretende trazer para a contemporaneidade a sabedoria e a inspiração de práticas milenares em que esta energia, bem corpo o corpo e os seus fluídos, eram reverenciados e utilizados como auxílio à fertilidade e harmonia das comunidades, assim como nos ensinamentos entre linhagens de gerações e iniciados e destaca a importância de reverter a cisão entre o instinto/pulsão da energia sexual e o sentimento da energia erótica, na medida em que sem a ligação ao coração fica-se privado da capacidade de reconhecer a beleza em si mesmo, na parceria, na vida e os sentimentos de amor, inspiração, intuição, empatia associados à inteligência emocional.
Trabalha-se com diversas técnicas de respiração, som, movimento e toque, usadas no xamanismo, taoísmo, tantra e terapias psico-corporais, para aceder à informação e estimular a expansão dos corpos físico, emocional, mental e espiritual, assim como a revisitação dos principais conceitos associados à sexualidade o que promove a desformatação dos juízos de valor e crenças limitativas da abertura profunda e intensa às sensações e ao prazer. Consoante o referencial de cada pessoa e se há traumas profundos associados (afinal está-se a lidar com a energia mais forte e reprimida que já deu e continua, infelizmente, a dar origem a múltiplas formas de abuso e violência), estrutura-se a abordagem terapêutica.

Viver a sexualidade do ponto de vista sagrado torna a pessoa mais atenta à sua vibração e estados internos, assim como aumenta a sensibilidade empática aos ambientes, a qual, por seu turno, traz inspiração e uma capacidade criadora e criativa mais directa e autêntica. Aprende-se muito acerca da intimidade e relacionamentos, da presença, do enraízamento, do centramento, da intenção e propósito claro, imprescíndiveis para a geração, movimentação e expansão ancoradas desta energia tão potente e sinto mesmo que cada vez fará mais parte do percurso de desenvolvimento humano.

2. Como se pode amar de forma equilibrada?

Gosto que a pergunta ponha o amor em ação. Não concordo que o foco seja o equilíbrio mas a harmonização. Passo a explicitar:

O amor é tudo menos racional e tão mais vasto que a vontade pessoal, uma força indomável e misteriosa que traz a proposta de união inteira (física, emocional, mental e espiritual) consigo mesmo e entre dois ou mais seres.

Considero que o jeito é mesmo desconstruir esta obra profunda e imensa para uma só vida em etapas, não só atingíveis, como sobretudo, passíveis de garantir uma base sustentável e evolucionária para a etapa seguinte. Começamos logo por ter de assumir uma destas duas posturas: a romântico-passiva, que vive de idealizações e projecções, é auto-focada e condicionada às circunstâncias externas ou a amorosa-activa, que encara amar um processo de crescimento que envolve três entidades – o eu, o outro e a relação em si – em que cada parte é co-criadora e transformadora das circunstâncias internas e externas à relação.

Recebemos todo um legado intrincado em imagens, histórias e contexto familiar de origem oriundo da primeira postura mas, sem dúvida, que fazemos parte da geração que vem desbravar caminho para edificar a segunda postura. Aqui, ainda estamos todos às apalpadelas mas já é hora de integrar e pôr em acção alguns aspectos que são tidos como a tal base sustentável:

. Alinhamento com os valores do respeito, confiança, comunicação autêntica e dedicação (o equilíbrio trabalha-se diariamente e não é algo transcendente que só acontece a quem está destinado a ficar juntos). Tendo em conta que, enquanto seres essencialmente gregários, queremos (e necessitamos!) de ser amados, quantas mentiras debitamos à outra pessoa e a nós mesmos, precisamente para que não haja desequilíbrios;

. Manter a ligação ao “eu” individual – O que quero? O que visiono? Para onde caminho? O que gosto de fazer quando ninguém está a ver? Estas e outras questões afins dão pistas acerca de quem sou, do um que sou que dança com o um que o outro é, gerando o três que é a relação, uma identidade em si mais que a soma dos dois. Vejo a comunicação autêntica aqui como aspecto-chave para que a parceria não se perca nos trajectos individuais, em que a postura seja como harmonizar (com compromisso, com cedência, com renegociações…) as vontades de alma de cada um e como estas podem servir a relação;

. Comprometimento com um caminho de atenção e consciência – pode passar por desenvolver a postura de observador/testemunha, de modo a não me perder/confundir nos múltiplos papéis que sou chamada a desempenhar em sociedade pois num relacionamento os protagonistas são e deverão continuar a ser o amante e a amante, despidos de formatações exteriores; por fazer uma terapia para conhecer melhor os meus padrões, caso perceba que, em certas situações, reajo automaticamente, com impactes nefastos à consolidação dos valores fundamentais para a harmonia e amadurecimento do amor;
. Definir o propósito da relação – seja qual for o propósito sentido (pode ir desde um “andarmos juntos a conhecer o mundo” a um “doarmos parte desta fonte inesgotável de amor que corre entre nós a uma causa humanitária, fazendo voluntariado”) ele vai ser o guia a quem se pode voltar quando o nevoeiro das dúvidas e a turbulência dos conflitos surgirem e a base para eventuais reposicionamentos e reformulações de propósito, ajudando também a sair dos umbigos pessoais e becos sem aparente saída.

3. Como devemos vivenciar o desejo ou atração por outros em nós?

O desejo, fazendo parte da sexualidade humana, foi também castrado, silenciado, pisado, camuflado e distorcido como qualquer aspecto da sexualidade que sempre aponta para vida, para entusiasmo e força, para criação, beleza e ligação à inteligência do corpo. A sexualidade liga directamente a pessoa à expressão livre de quem é, logo à autenticidade e, isso, dizem vários estudiosos e mestres, não interessa às sociedades nas quais vigoram os valores da ambição, da subjugação da maioria indiferenciada a uma minoria totalitária, da imposição em vez da cooperação, da repetição e estandardização, no lugar da criatividade e espontaneidade.

Crescemos escutando pérolas como “a mulher quer-se discreta e no lar”, “homem que é homem tem sempre opções na carteira”, “mulher respeitável não demonstra iniciativa”…  Curar esta ferida começa por aceitar que a energia erótica é transversal a tudo o que tem ânimo: terra, animais, arte, crianças, adultos e idosos. E, sendo um pouco mais radicais, aceitar também que é uma medicina para a alma – inspira, liga, expande, cativa, irradia – tornando o mundano e o profano sagrados, porque únicos e especiais e celebrar isso! Depois, ser generoso e partilhar este estado nos ambientes em que se move: não necessariamente mas também através da exposição da pele, mas sobretudo através da vibração bela, alegre, vibrante, empática que se emana indiferenciadamente. Não a reter somente a um alvo específico e, muito menos, esperando algo em troca. Sendo, contudo, normal que haja seres que permaneçam em nós por uma temporada maior ou mais significativa que outros, é importante entender o que se quer fazer com essa sensação e, mais uma vez, abrir-se a possibilidades que se desconhecia:

. Agradecer a nossa abertura ao toque de Eros, através da presença do outro em nós;

. Entender a proposta desta atracção para o momento de vida em que se está: voltar a sentir-me viva? Permitir-me imaginar cenas tórridas que nunca experienciei? Levar mais fogo à relação que mantenho com outra pessoa? Tomar a iniciativa e “declarar-me” ou somente partilhar as bênçãos que a sensação per si já trouxe? O que não ando a permitir-me e que tanto desejo?
. Saber que a energia erótica e do desejo são criativas e movimentam-se em ondas: de dentro para fora e para dentro. Isto significa encontrar formas criativas de a manifestar (que não têm de envolver a pessoa que se deseja), como dançar esse desejo; desenhar; respirar fundo, abrir a zona do peito e manter esta postura ao longo do dia, deixando que as sensações toquem o ambiente à volta e as pessoas com quem se interage ao longo do dia.

4. Todo o desejo deve ser materializado?

O que importa é garantir que o que quer que faço com o meu desejo é consciente e não ignora o consentimento mútuo e o respeito por todas as partes envolvidas. Um dos sintomas da maturidade sexual é a capacidade de gerir e direccionar os impulsos e pulsões instintivos e inconscientes para áreas de mais consciência e propósito, como referi na questão anterior.

5. Como deve agir a mulher no sexo sagrado?

Para a mulher, a grande proposta da sexualidade sagrada é a da ligação ao seu corpo, enquanto lugar de sabedoria, como a sua bússula de estados de alma e anímicos, para que as decisões e opções que vier a tomar sejam em alinhamento com as suas verdades. Por verdade não quero necessariamente dizer que ela esteja certa mas sim do que ela é capaz, em respeito por si a dado momento: um “sim” (consentimento) a um acto sexual no qual ela não se sinta mesmo disponível e com vontade, em que percepcione que não haverá valorização, respeito e afecto por parte da parceria, em que esteja zangada ou ressentida são uma forte agressão a si mesma. Observo nas consultas que os impactes dos “sim” quando a alma e o corpo pedem “não” são cada vez mais rápidos na somatização (infecções ginecológicas, maior permeabilidade a DST) e resistentes a tratamentos convencionais (medicamentosos) que não aliem a leitura energético-emocional dos sintomas e zonas do corpo afectadas, assim como o referencial da mulher.

Mas este é um imenso desafio a desbravar porque além de todo o repositório de memórias e traumas que o corpo acumula e que levam, por questões de sobrevivência funcional, à dessensibilização e desconexão corporal, sobretudo na zona pélvica, a esmagadora maioria das mulheres não aceita plenamente a sua imagem corporal. Isto é fruto da histórica estereotipização das formas femininas, bem como dos tabus em torno da exposição do corpo da mulher. No entanto, da minha experiência e do que observo em cada mulher que, com coragem, amor e foco, mergulha na cura destas memórias e se aceita como ser sexual, o potencial de força e empoderamento pessoal é vastíssimo e (re)evolucionário, servindo para qualquer área de vida (criativa, profissional, relacional, espiritual, etc.)

6. E o homem?

Para o homem a grande proposta da sexualidade sagrada é a da abertura do seu coração, a ligação às suas emoções e ao reconhecimento e manejo da sua energia erótica e da parceria. A energia sexual no aspecto masculino de cada ser traz a força da semente que dá origem a uma floresta inteira: intensamente direccionada e explosiva. Visa a consumação da descarga de energia acumulada e consequente alívio de tensão e stress.

E está tudo bem, a natureza fez o sexo não só como forma de reprodução da espécie, mas como regulação biofisiológica. Acontece que a relação de intimidade consigo mesmo e com a parceria, assim como a sua ligação a todos os aspectos femininos da vida, ficam comprometidas. O fogo, de tão intenso e quente, queima rápido e não deixa sentir as subtilezas dos sentidos e das sensações, nem aceder e reconhecer as emoções. É importante para o corpo emocional do homem ele sentir: sentir-se, sentir o afecto que tem pela parceria, emocionar-se com esse sentir e começar a decidir, também, por este centro de inteligência que os cientistas são unânimes em dizer hoje que o coração é.

Ora para o homem este é também um imenso desafio numa sociedade que lhe incutiu que a expressão emocional autêntica e inteira não é coisa para homens com H maiúsculo, tendo dificultado o treino de um léxico emocional rico em diversidade e profundidade. O coração torna-se um portal de cura e de ligação ao erotismo (que é água, digamos assim, flexível, fluída, húmida, envolvente) oferecendo-lhe o contacto directo com as sensações, um prazer e vivacidade interna e um cuidar amoroso e gentil que não remete necessariamente para a penetração sexual, mas sim enriquece a qualidade da intimidade e do autoconhecimento. Nas consultas com homens é comum lidar com a couraça ou armadura na zona do peito, na medida em que o corpo sempre revela a dimensão emocional.

7. A importância da sexualidade para um casal?

O sexo é aquilo que distingue os amantes dos companheiros de quarto ou amigos. O cultivo da relação sexual é, então, a oportunidade de continuar a lembrar e a sentir presentes e vivos o magnetismo e a paixão entre a parceria, colocando o casal numa sintonia de vibração que facilita não só o reforço do vínculo afectivo como a harmonia nas outras áreas da vida a dois. Por isso, é só vital, fundamental, a pedra de toque da dinâmica de casal.
Juntando a partilha emocional, a aceitação, a reciprocidade entre o dar e o receber, a atenção, a confiança que alavanca a experiência de situações e sensações nunca antes vividas e a alimentação cuidada do erotismo entre ambos entramos na esfera da sexualidade que permite a revelação em camadas mais profundas do outro, de onde deriva um sentido de união, que é a fundação e o propósito da ligação de duas vidas.

8. Que conselho darias a um casal que a sua união está ameaçada?

Falando com vários terapeutas de casal, escuto sempre a expressão “as relações saudáveis são aquelas em que ambos mais trabalham e se esforçam por trabalhar para ela.”
É, soa a pouco romântico e, até, a sacríficio. Mas a verdade é que, da parte dos casais que escolhem fazer trabalho comigo, a expressão “engolidos pela vida” é muito repetida (e eu própria sinto-a na pele de quando em vez).
É comum ouvirem da minha parte as seguintes guidelines (além daquelas que explicitei na questão 2):
. Agradecer a dádiva que é ter a oportunidade de partilharem a vida um do outro, da forma mais íntima possível, pois muitas vezes banaliza-se e dá-se por garantida a presença da parceria na nossa vida;
. Do lugar do “eu sinto” (auto implicação e responsabilização), dialogar com a parceria as vezes que forem necessárias todas as mágoas, frustrações, medos, assim como as alegrias e o amor, de modo a limpar o melhor possível o foco no passado, que não se pode mudar e redireccioná-lo para a realidade presente, que é onde ambos podem efectivamente operar transformações e tomar as decisões que os encaminhem para o futuro que visionam;
. Lembrar que o óptimo e o perfeito não existem e que o compromisso e a negociação, isenta de jogos de poder e de manipulação, são aspectos favoráveis ao entendimento;
. Lembrarem o que no início da relação mais admiravam e os atraía no outro e perceber actualmente o que se perdeu ou simplesmente deixou de se prestar atenção (uma das dinâmicas de casal mais simples mas que ainda hoje continua a operar revelações transformadoras nos casais é olharem um para o outro em silêncio durante, pelo menos, 10 minutos. Diz muito acerca dos hábitos e garantias que a rotina traz, certo?);
. Dedicarem-se a aprofundar a intimidade, descobrindo novas e funcionais vias para além da intimidade sexual. Aqui é mesmo muitíssimo importante a dedicação e a determinação para cumprir um calendário de casal, pondo-se nem que seja uma hora por semana à frente de qualquer requisito que a família, o trabalho ou outra situação solicite;
. Cultivarem o mistério, a surpresa, a criatividade nas rotinas do dia-a-dia, visto que o desejo é avesso à previsibilidade e à segurança dos hábitos repetidos;

. Experimentarem um tempo afastados (que pode ser apenas um fim de semana), sem algum tipo de contacto, em que escolham fazer e estar onde mais lhes apetece, alimentando a alma, o que geralmente dá uma maior perspectiva e enquadramento emocionalmente inteligente das fontes de ameaça e de soluções criativas e integradoras das necessidades de ambos;
. Dedicarem mais tempo a centrar-se os dois na melhoria da relação do que a partilhar os problemas e procurar conselhos fora da relação;
. Procurar ajuda profissional especializada não só como salvação final (a qual na esmagadora maioria dos casos apenas vai evidenciar que o fim da relação está à vista) mas também como prevenção, para conhecerem os gatilhos emocionais, o corpo de dor, num espaço neutro e seguro, e ficarem dotados de recursos para lidar eficaz e saudavelmente com as inevitáveis crises que todos os casais enfrentam.

Entrevista por: Vera Cristina

Ardhanarishvara | O Feminino e o Masculino, um ser único!

Ardhanarishvara representa a síntese perfeita do ser e a fusão de formas masculinas e femininas, incorporando Prakriti e Purusha, considerando as energias femininas e masculinas do cosmos e também se manifesta como Shakti o Sagrado Feminino, e Shiva, o princípio masculino.

Ardhanarishvara indica também que “a totalidade está além da dualidade” e que a natureza humana é essencialmente igual às duas energias a masculina e feminina. Falamos sempre destas duas energias como fazendo parte do ser como um todo sendo indivisível mas considerando sempre as duas partes iguais.

Purusha é hoje comumente entendida como “homem”, apesar de na filosofia samkhya este não ser o seu significado e Prakriti significa natureza ou criação. Numa designação do hoje considerando como Purusha é a fonte da criação pelo motivo que é Purusha o indutor que faz com que as coisas aconteçam. Mas tudo acontece quando Prakriti está em consonância com a sua existência ou quando ela está num estado de criação, permitindo assim que tudo se encaixasse e a criação apareça. Se um ser humano nasce, ou um animal nasce, ou um cosmos nasce, está a acontecer a mesma coisa, o que num entendimento humano se referencia como masculino ou masculino.

Considerando uma visão tradicional todo o ser humano surge por causa de um único acto, por causa da cópula, mas pode acontecer de qualquer maneira, pode acontecer de forma irresponsável, negligente, com força, com raiva, com ódio – não precisa necessariamente de acontecer através de um acto maravilhoso e de amor, mas de qualquer maneira a população vai aparecendo. Tudo o que acontece a seguir no útero é que não pode acontecer de qualquer maneira, tem que acontecer de uma maneira muito ordenada, carinhosa, pacificada e bonita, caso contrário, pode ser que tudo não funcione e que a vida por algum motivo não aconteça.

Então, quando olhamos para este processo que pode ser considerado como um acto mas que define a criação e que se  identifica como Purusha, mas o que faz com que tudo aconteça e que possa evoluir para a vida é designado por Prakriti ou natureza, sendo este o motivo que a natureza é representada como feminina A fusão desses dois opostos tem de coexistir na vida de cada um, e indica que para que o ser seja completo tem de coexistir numa estrutura mental, material e espiritual. Shiva e Shakti são inseparáveis ​​e interdependentes, o que indica que ambas as forças opostas são uma e a mesma e não podem ser consideradas como duas identidades individuais.

Geralmente numa cultura íconica a metade de Shakti ficada situada à esquerda do Ardhanarishvara e Shiva é mostrado no lado direito, também tradicionalmente a esposa está sentada à esquerda do marido. O lado direito está associado a traços masculinos e a um funcionamento cerebral com lógica, direcção e pensamento sistemático. O lado esquerdo (Vamabhaga) está relacionado com o coração, portanto, também está associado com as características femininas, tais como criatividade e a intuição. Mas estas duas forças também simbolizam a fertilidade o crescimento e a capacidade reprodutiva considerando estas forças supostamente opostas tornarem-se então não-dual, que no final se torna impossível diferenciar o masculino no feminino.

Muitas referências do Tantra Shastra consideram a forma hermafrodita do Ardhanarishvara como sua divindade tutelar, como representa a divina união entre os Prakriti e Purusha. Esta consciência do feminino que hoje a sociedade e mesmo as mulheres têm entendido a natureza feminina como fraqueza, em que as mulheres tentam e se enquadram nesta forma de vida mundial gerado pela economia. Tudo está a ser gerido e se enquadra como a lei da selva em que, o que sobrevive é o mais apto, mas que no final tudo é gerido de uma forma dominante e masculina (mesmo quando gerida pelo feminino). Escolhemos sempre o poder da conquista grosseira sobre as subtilezas do amor, da compaixão e do abraço da vida.

Ao nos analisarmos, podemos verificar que temos apenas masculino, mas no final o que vamos analisar é que no geral temos tudo, mas numa consideração mais específica é que não temos nada e que no final não conseguimos nesta sociedade nutrir o que é feminino. Basta analisar o que se passa nas escolas em que as disciplinas mais sensoriais como música, arte, filosofia e literatura são preteridas em detrimento das ciências e das tecnologias. Se esta alteração não for efectuada e não acontecer, não haverá espaço para o feminino no mundo, e ao mesmo tempo se não existir este equilíbrio entre masculino e feminino então vamos todos andar aos papéis, sem entender a nossa estrutura de vida e as nossas vidas irão ser muito incompletas e desequilibradas.

Para os mais aqui deixo o link do Mantra a Ardhanarishvara:

Fiquem felizes e procurem em vocês o lado feminino.

Por: Vítor José | Contacto: http://ayurveda-gdm.weebly.com/

Deusa Ceres | Deusa das plantas e do amor maternal.

A Deusa Ceres é a deusa das plantas e dos grãos na sua fase de crescimento e também do amor maternal, é representada com uma coroa feita de espigas de trigo, e no seu regaço uma cesta com frutos e flores. É portanto a Deusa da Agricultura ensinando os homens a arte de semear. É filha de Saturno e Cibele.

Em tempos de tristeza as terras ficavam igualmente tristes e deixavam de dar fartura, temos a história do rapto da sua filha – Prosérpina – e da procura incessante por ela até chegar a um acordo com Plutão – que a levou para o submundo e a fez sua esposa – em que passaria metade do tempo com a Mãe Ceres e a outra metade no submundo com Plutão, edificando assim a génese das estações do ano, como reza a lenda.

Nos tempos de felicidade por ter a sua filha junto a si, portanto Primavera e Verão, e nos tempos de desolação Outono e Inverno, as estações choram ou alegram-se consoante a Deusa Ceres tenha ou não sua filha perto.

A Deusa Ceres faz relembrar em nós a nossa capacidade de criação, nutrição e negociação. Segundo Bert Hellinger “A paz no mundo começa no coração das Mulheres”, e é interessante fazer um paralelismo entre estes mitos e a realidade, pois quando uma mulher está em paz dentro do seu coração tudo à sua volta floresce: a terra é bem tratada, a semente é escolhida ao pormenor e é tudo preparado para ela brotar em direcção ao céu e assim chegar ao mundo.

Nós mulheres também assim somos, quando a alegria nos invade a facilidade com que sentimos a vida a fluir em nós é igualmente revigorante, contudo o desafio está quando o outono/inverno chega e a tendência é esquecer que semeamos sementes e que temos que cuidar delas constantemente para que consigam finalmente chegar à superfície para que possamos consumir os seus deliciosos frutos. E assim é, também, com os nossos projectos pessoais e profissionais  e a forma nos damos ao mundo, temos em nós a capacidade criadora e só depende de nós saber utilizá-la.

A mulher é alegria em si mesma e é importante não esquecer esta alegria de menina mesmo quando o mundo parece um lugar mais triste ou mesmo desolador, nós temos em nós a capacidade de moldar as lentes com que vemos o mundo, há muito tempo que a postura de vitima já não é admitida, então só nos resta arregaçar as mangas e simplesmente usufruir de todos os ciclos e os ensinamentos que eles nos trazem e quando o “mau tempo” passar vamos perceber que o estrago nas colheitas não foi tão grande como foi no passado, pois desta vez estávamos mais fortes, mais estruturadas e de coração aberto para a mudança.

Por: Diana Faustino | Sacerdócio do Sagrado Feminino | http://sersagradofeminino.wixsite.com/sacerdotisas

Nutrição | A Primavera e a forma como nos alimentamos!

A Primavera é uma altura do ano que nos convida a abrir, a limpar e a purificar os excessos da energia pesada do Inverno. É uma época em que precisamos de nos sentir leves e a florescer. Por isso, é um período que devemos comer menos e escolher mais verduras na alimentação que por são por excelência os alimentos que promovem os nossos sistemas de desintoxicação.

Nesta altura é típico as pessoas sentirem este apelo para a purificação do organismo e para a mudança de hábitos. O problema é que muitas vezes este apelo não vem sozinho. Vem acompanhado de muita ansiedade, que simplesmente bloqueia ou, no mínimo, atrasa ainda mais este processo.

É importante ficar bem claro que a Primavera é de fato uma estação do ano em que a própria natureza nos exemplifica o que acontece no nosso corpo e o que precisamos de fazer:

Uma árvore tem as suas raízes, mas ao mesmo tempo tem uma energia ascendente, em direção ao sol, que floresce, além de ser flexível, movendo-se com o vento, não deixando de ser forte!

Então, a minha abordagem da nutrição baseia-se numa perspetiva integrativa do ser humano e na premissa de que o nosso corpo está sempre a comunicar connosco. Se aprendermos a observá-lo com atenção, conseguimos satisfazer as suas verdadeiras necessidades. Caso contrário, quando sentimos um vazio emocional, uma carência, uma insatisfação, é comum querermos preenchê-la com algo rápido e automático como comida, bebida ou qualquer outra coisa, de definitivamente não resulta. Por exemplo, se for o chocolate, por mais chocolate que se coma, nunca nos vamos sentir saciadas.

E depois a confusão é imensa. Nas minhas consultas, por exemplo, perguntam-me o que fazer quando têm “fome”, quando não sabem se a “fome” é de doce ou de salgado??? Bem, neste caso, estamos perante uma grande confusão emocional/mental! O que fazer nestas situações? Há várias opções, mas se há uma recomendo e que nunca falha é não comer absolutamente nada, num momento como este! Que se beba água ou chá.

Poderia aqui explorar o que está por detrás destas sensações, destes distúrbios do comportamento alimentar, sob diversas perspetivas, mas a que me surge de forma evidente é a influência energética que as emoções e os alimentos têm sobre nós. Ou seja, se eu sentir frequentemente um desejo por doces e/ou salgados, isto é simplesmente consequência de algo bem mais profundo e complexo do que a dieta em si. É consequência de um desequilíbrio interior, seja ele físico, psicológico ou ambos.

Segundo a MTC, alimentos muito salgados ou muito doces têm energias extremas: o salgado aporta-nos uma energia muito YANG – ou seja, densa, de contração, de acumulação, de tensão, de retenção. É fácil perceber: quando comemos algo muito salgado temos sede logo de seguida, pois para onde vai o sal vai a água.

Por outro lado, se desejamos um alimento doce é porque estamos tensos, contraídos e queremos relaxar, expandir essa energia, temos necessidade de evasão – por terem energia muito YIN (oposta à YANG) – exatamente a mesma que está presente no álcool. Mais uma vez, se pensarmos naquelas pessoas que quando estão tensas sentem necessidade de beber um copo de vinho ou outra bebida alcoólica qualquer, o efeito procurado é exatamente esse, de fuga e evasão das emoções.

Então, se os alimentos nos ajudam a mudar de estado, porque é que estas opções que exemplifico são péssimas para a nossa saúde? Porque como expliquei são alimentos com energias extremas, muito refinados e nada naturais. Por isso, vão provocar um caos ainda maior, um desequilíbrio alimentar mais acentuado e um ciclo vicioso. Além de que, aquando destes processos metabólicos, desta instabilidade alimentar e nutricional, há um consumo exagerado de energia por parte do organismo, bem como de vitaminas e minerais, agravando ainda mais a motivação, que é essencial para regressarmos ao equilíbrio e às escolhas mais naturais e saudáveis.

Então de forma resumida vou indicar 3 passos para iniciares um processo de mudança consciente de alimentação e estilo de vida:

1º limpar o organismo:

Como podemos começar com foco um projeto numa mesa de trabalho toda desarrumada e cheia de pó?

2º serenar a mente e as emoções:

Ao reduzirmos a ansiedade pelos resultados rápidos, pela comparação com os outros, pelo excesso de (des)informação – evitamos comportamentos impulsivos de restrição que como explica muito bem a psicologia estão associados automaticamente à compulsão alimentar.

3º simplificar:

Este último, acaba por ser consequência natural dos dois passos anteriores: começar por aquilo que nos é mais fácil, dando um passo de cada vez, de forma a ganharmos consistência nos novos hábitos, não desesperando por um dia sairmos do eixo, porque isto também faz parte. Ao mesmo tempo, vamos desenvolvendo uma flexibilidade connosco próprias, que nos permite avançar sem medos, sem ficarmos presas naquele pensamento tão típico que vem do nosso subconsciente “perdida por cem, perdida por mil”. E assim também reforçamos o nosso empenho no processo. Isto está associado à autoestima. Aliás, se eu começasse por aqui este vídeo/texto estaria igualmente bem!

Como começar? Por onde começar este processo de mudança alimentar e de estilo de vida? Eu não tenho dúvidas de que a força motriz vem do amor-próprio que todas sentimos o apelo de desenvolver cada vez mais. Se tomares consciência que ao cuidares da tua alimentação estás a dar o 1º passo para cuidares do teu corpo e das tuas emoções, vais querer continuar neste processo de mudança com mais e mais motivação.

Por: Lea Caniço | Nuricionista | Contacto: lea.canico@gmail.com

Mulheres Inspiradoras Aurélia de Sousa (1866-1922)

Somos as netas de todas as mulheres que nós antecedem e das quais somos herdeiras, são mulheres de coragem, inspiradoras e que nos continuam a inspirar. Conhecendo um pouco do seu contributo, da sua força, da sua ação isolada conseguimos aprender ou re-aprender, reconhecer e relembrar a sua presença na construção do social que levaram a cabo. Como Mulheres, ouvimos, sentimos a sua palavra. São Mulheres, que lutaram com coragem e tenacidade, contra o adormecer, o silenciar, o esquecimento.
São MULHERES INSPIRADORAS, que hoje na nossa contemporânea, continuam a INSPIRAR MULHERES CONTEMPORÂNEAS
*Ilustração Circulo da Lua

 

 

AURÉLIA DE SOUSA 

MULHERES NA PINTURA

Valparaiso,13 de junho de 1866

Porto, 26 de maio de 1922

 

PALAVRAS CHAVES

Pintora;

Arte;

Colecionadora;

Feminista;

Naturalista;

Impressionista;

Pós-impressionista

Foi uma das primeiras a ingressar a Académia de Belas Artes do Porto terreno exclusivamente masculino no oitocentos Portuenses.

Por: Cristina Neves | Circulo da Lua

Mulheres Inspiradoras Amélia de Orleães (1865-1951)

Somos as netas de todas as mulheres que nós antecedem e das quais somos herdeiras, são mulheres de coragem, inspiradoras e que nos continuam a inspirar. Conhecendo um pouco do seu contributo, da sua força, da sua ação isolada conseguimos aprender ou re-aprender, reconhecer e relembrar a sua presença na construção do social que levaram a cabo. Como Mulheres, ouvimos, sentimos a sua palavra. São Mulheres, que lutaram com coragem e tenacidade, contra o adormecer, o silenciar, o esquecimento.
São MULHERES INSPIRADORAS, que hoje na nossa contemporânea, continuam a INSPIRAR MULHERES CONTEMPORÂNEAS
*Ilustração Circulo da Lua

 

 

AMÉLIA DE ORLEÃES 

MULHERES NA FOTOGRAFIA E ACTIVISMO SOCIAL

Twickenham, 28 de setembro de 1865

Le Chesnay, 25 de outubro de1951

PALAVRAS CHAVES

Rainha;

Fotografia;

Activismo social;

Última Rainha portuguesa;

Culta e bem educada exerceu um papel importante na erradicação da pobreza do país;

Lutou contra a tuberculose; fundou dispensários; sanatórios; lactários populares; cozinhas económicas; creches.

 

Obras mais conhecidas:

Instituto de Socorros a Náufragos  (1892)

Museu dos Coches Reais (1905)

Instituto Pasteur em Portugal

Assistência Nacional aos Tuberculosos

Por: Cristina Neves | Circulo da Lua

Mulheres Inspiradoras Alice Guy-Blaché (1873-1968)

Somos as netas de todas as mulheres que nós antecedem e das quais somos herdeiras, são mulheres de coragem, inspiradoras e que nos continuam a inspirar. Conhecendo um pouco do seu contributo, da sua força, da sua ação isolada conseguimos aprender ou re-aprender, reconhecer e relembrar a sua presença na construção do social que levaram a cabo. Como Mulheres, ouvimos, sentimos a sua palavra. São Mulheres, que lutaram com coragem e tenacidade, contra o adormecer, o silenciar, o esquecimento.
São MULHERES INSPIRADORAS, que hoje na nossa contemporânea, continuam a INSPIRAR MULHERES CONTEMPORÂNEAS
*Ilustração Circulo da Lua

 

 

ALICE GUY-BLACHÉ 

MULHERES NO CINEMA

Saint-Mandé,1 de Julho de 1873

Wayne, 24 de março de 1968

PALAVRAS CHAVES

Pioneira;

Cinema;

Directora;

Roteirista;

Visionária;

Experimentalista em efeitos especiais;

Som;

Cor;

Temas e narrativas complexas;

Realizou por volta de 700 filmes.

 

Por: Cristina Neves | Círculo da Lua

Conexão | Tu és a Verdade e a Palavra.

Observa. Tudo à tua volta reafirma a Vida. Agora e sempre.

A flor floresce, o verde é mais verde e o sol reafirma-se no prolongamento dos dias.

Sim, a natureza mostra todo o seu pulsar, de modo evidente e criativo. Dizemos então que tudo renasce.

E na folha que caiu e nutriu o chão? E no dia cinzento, frio e chuvoso? E no pássaro que voou o seu último voo?

Não havia renascimento? Não havia criatividade? Não havia vida? Não havia magia?

O ciclo apenas continua a sua dança cósmica. Tudo flui num ritmo natural no imenso ciclo da vida.

E é nesta vibração que te deixo o convite:

Sente-te.

Centra-te.
Quando é que estás verdadeiramente em ti?

Quando sentes o fluir do rio da tua vida?

Quando reconheces que podes deixar cair a folha e alimentar a tua terra ou fazer florir a tua flor? Ou deixar de voar? Sem opiniões ou validações? Quando permites fluir com o teu respirar? Ou fluir nas águas do teu ser – o teu sentir.

Tudo à tua volta te diz: “há ciclos que têm de se fechar”. Verdade. Mas, e se a essência for continuar? Respirar a transformação de um ciclo que continua e que não acaba, mas que se transmuta pela impermanência da vida. Afinal, não será a vida um ciclo uno, composto por sucessivas renovações, que se entrecruzam no sentir, te revelam o que há para curar e te fazem desvendar o teu Poder?

E quando usas o teu Poder? “Poder? Eu não tenho essa força” pensas tu. Como te permites acreditar que não és Poderoso?
Silencia então o ruído que te rodeia. Até aquele ruído que produzes para não te veres e ouvires. Sim, esse!

Não permitas ser influenciado por ruído. As flores caem e florescem no silêncio.

Permite-te respirar e viver em ti. É em ti que estão todas as respostas. Não as procures no exterior.

Ouve o teu silêncio. Tu és a Verdade e a Palavra.

Quando te lembras quem realmente és, quando te sentes em ti e te recolhes ao teu espaço sagrado, empoderas-te.

Mostra-te, então, disponível para sentir a vibração cósmica que te chega e que se expande de forma imensurável no teu coração.

Renasces assim num novo respirar, pois consciente do teu Poder Cósmico, desconstróis e libertas aquilo que te impede de aceder a ti mesmo e à sabedoria que te é ancestral.

Sente-te vivo e presente, tanto num pequeno grão de areia como na infinitude de uma galáxia. E dança!

Reconhece em ti a palavra do passado e do futuro e age, caminhando com firmeza e responsabilidade, aqui, no presente.

Renasce em ti, cocriando o milagre da Vida. E sente, sente como isso é maravilhoso!

Por: Helena Pereira | Contacto: https://www.facebook.com/lenadaponte7?fref=ts

Intuição | A Ciência e o sentir intuitivo!

Quantas teorias científicas não surgiram a partir de um “impulso intuitivo”?

Quantas certezas são “certezas sentidas” antes de comprovadas?

Nenhuma descoberta notável, nenhum “insight”, nenhum produto da criatividade, ocorre exclusivamente como resultado de atividade mental objetiva.

Ideias novas provêm da intuição, sem a qual a informação que reunimos por observação casual seria um somatório de fatos sem sentido. A intuição e a razão associam essas observações eventuais numa relação significativa, num sistema ordenado.

Já Einstein defendia que “não existe nenhum caminho lógico para a descoberta das leis do Universo – o único caminho é a intuição”, e conforme Albert Camus “compreender e sentir são inseparáveis”.

Segundo Jung, a intuição é “uma percepção por vias ou meios inconscientes. A intuição é o ato de ver, perceber, discernir, pressentir. Intuindo, o pensamento apresenta-se sob a forma de uma imagem perceptiva, por um símbolo, sem interferência mental – uma contemplação pela qual se atinge a verdade por meio não racional.

A não racionalidade, atribuída à intuição, representa a sua característica essencial, mas não reúne todo o processo intuitivo. Refere-se ao insight  ou, ainda, à percepção de alguma coisa estranha, não notada nas outras vezes em que se observou o mesmo objeto ou fenómeno. Esta perceção, ao ser trabalhada racionalmente, poderá vir a assumir a forma de uma conjetura ou hipótese. No entanto, mesmo antes disso, já estamos perante algo que se pode considerar como uma “verdade provisória” que apenas aguarda confirmação racional e consequente validação.

Assim, a ciência experimental começa pela intuição. Pode parecer anticientífico, mas a intuição como ciência é uma realidade que muito custa a ser reconhecida por puro preconceito apenas, mas se percebermos como ela é uma constante na vida, o quadro é bem diferente.

A intuição trata de uma verdade apenas pela realidade como ela se apresenta. Este tipo de conhecimento só pode ser conseguido se existir uma visão holística do problema – uma associação como um todo complexo. Símbolos intuitivos podem revelar a essência de verdades imperceptíveis, que não são compreendidas apenas pelo intelecto. Esses símbolos, imagens pictóricas, podem decifrar paradoxos e, da desordem, criar ordem. Em clarões de compreensão, proporcionam conhecimento que integra fragmentos dispersos, desiguais, seguindo uma visão unitária, pois esta possibilidade é aberta pela intuição que analisa todas as partes do todo.

Assim, a experimentação e a observação empírica são métodos para posterior verificação ou comprovação dessas ideias, já reveladas pela intuição, pois e segundo Nietzsche a relação com a ciência assenta no seguinte pressuposto – “Não têm real interesse por uma ciência aqueles que começam a se entusiasmar por ela somente depois que nela fazem descoberta”.

Assim, a hipótese é comprovada pela experiência no mundo objetivo. É necessário pois retornar ao estado objetivo de concentração, para verificar a validade do símbolo intuitivo. Um descentramento centrado. O desconstruir racional para a edificação reunida, clarificada, verdadeira e… intuitiva.

A verdade, essa, surge tão clara, que não deixa sombra para a existência da dúvida nem para o acaso… a verdade surge cheia de luz, sem espaço para planos de penumbra. E neste cenário, sem bastidores, o sentir é a prova da verdade.

O sentir comprova a percepção e é a teoria provada para a compreensão, se for um sentir consciente, isento de ilusão.

Sentimos e experienciarmos para compreender… compreendemos experienciando. É assim, por analogia, um mergulhar numa certeza sentida, que necessita de validação, e que acaba por surgir, pois encerra em si uma verdade óbvia.

É pois um sentir imenso que não se deixa inundar por nenhuma hipótese que não possa ser comprovada. Respeita os princípios teóricos e experimentais, culminando num somatório indivisível e real. Uma forte e nítida intuição que se transforma numa real constatação.

O que pode ser mais forte que a efervescência do sentir? Sentir é pois uma energia que confere confiança para avançar.

Se o sentires, saberás

Só o saberás, se o sentires

Intuitivamente…

Por: Helena Pereira | Contacto: https://www.facebook.com/lenadaponte7?fref=ts

Do Amor Romântico ao Amor Real

Muito se fala de amor. Mas saberemos de facto o que é o Amor? Em tantas histórias de amor que ouvimos há frequentemente um denominador comum: o amor que se transforma em ódio quando termina. E se não for ódio, talvez indiferença. Ou raiva. Ou desilusão. Ou quem sabe desalento ou frustração.

E o que aconteceu então ao amor? Ao grande amor vivido, às promessas de “forever and ever”? O amor termina mesmo? Ou será que… nunca lá esteve?

Será que aquilo a que andamos a chamar de amor não será mais apego, carência, vontade de suprir uma falta que existe dentro de nós?

Até o facto de se chamar cara-metade a alguém com quem se partilha uma vida ou uma história… não é estranho? Mas seremos nós tão incompletos que necessitaremos de alguém que nos torne inteiros? Talvez seja o facto de se viver tantas vezes abaixo da nossa plenitude que nos coloca numa posição ideal para viver relações também limitadas.

Mas e o que sentimos? É real? Ou estaremos apenas a projectar no outro e na relação o que gostaríamos de viver cá dentro? A satisfação, a alegria, o entusiasmo, o encantamento? Ou a falta deles? Se quando a relação termina nada resta… eu tenho muitas dúvidas de que o que estivesse na base da mesma fosse amor. O amor morre? Ou simplesmente muda a sua forma?

Como avançar do ideal romantizado do amor para um amor que seja cada vez mais real? Como saber que o que sentimos é de facto amor?

Para começar poderemos fazer-nos uma pergunta: O que eu preciso desta pessoa? Ou desta relação? Quanto maior a necessidade… mais dúvidas existem de que seja realmente amor. O amor expande-nos, torna-nos maiores. Leva-nos mais e mais ao encontro de quem somos. O amor nunca nos diminui. Não faz exigências, não nos pede que sejamos menos do que somos.

Outra pergunta bastante pertinente é: Se esta relação terminar, o amor mantem-se? O que me liga a esta pessoa permanece intacto? Se a resposta é não, e habitualmente é, então dá que pensar… O amor é contingencial? Depende de uma forma? Desfeita a forma, o amor desfaz-se também? Então talvez não seja mesmo amor. Vivemos numa sociedade que valoriza imenso o Amor Romântico. Muitos de nós sonham ou sonharam com o príncipe encantado, com a princesa dos seus sonhos cor-de-rosa.

Mas a vida raramente vai ao encontro dessas histórias que habitam o nosso universo interior de fantasia. E aí convém perguntarmo-nos, para lá do romance, o que fica? Qual o substrato que alimenta ou alimentou as relações que vivemos? Estaremos nós disponíveis para um amor maior? Que nos amplifica, que nos expande?

Estaremos nós preparados para abrir o nosso coração para sentir para além da forma? E para amar realmente as pessoas com que a Vida brinda o nosso caminho? O que temos nós para dar? Ou será que temos andado tão focados em receber, em ir buscar ao outro, que por isso nos esquecemos de ver e sentir a sua essência, e a nossa?

Sugestão de exercício:

Escreva o nome de todas as pessoas realmente importantes que passaram pela sua vida.

Que pensamentos e sentimentos surgem ao pensar em cada uma delas?

Sinta, em relação a cada uma, se o amor permanece em si, se consegue senti-lo vivo no seu coração.

Se observar que surgem muitas evocações negativas ao pensar em alguém… questione-se: realmente amei esta pessoa? Porque estou a sentir o que estou a sentir?

Abra-se assim também a perceber se há algo pendente, algo que precise de ser resolvido em relação a essas pessoas.

E se sentir que é o momento para si, faça o que precisar de ser feito.

Porque nada nos aprisiona mais do que as histórias mal resolvidas do nosso passado! Que possamos libertar-nos, para nos abrir a mais amor na nossa Vida. Amor Real. Que permanece, mesmo que não se veja, para além da forma, para além do tempo.

Por: Cristina Gomes | Psicoterapia Multidimensional | Terapias de Florais de Anura | Regressão a Vivências Passadas | Reiki Contacto: www.cristinagomesterapias.com

Deusa do Lar e do Fogo Sagrado | Deusa Vesta

A Deusa Vesta, na mitologia romana, é conhecida como a Deusa do Lar e do Fogo Sagrado, era filha de Ops e Saturno e irmã de Júpiter, entre outros.

Quando Vesta se apresenta para trabalharmos com esta divindade, é sentida uma energia cheia de sabedoria por vários motivos: primeiro porque é uma das divindades mais antigas, por outro lado por ser Deusa do Lar, isto é, das coisas privadas e dos laços familiares é como se estivéssemos na presença de uma guardiã da sabedoria ancestral.

É sem dúvida uma Deusa que desperta em nós a necessidade de introspecção para reconhecimento de terreno pessoal, portanto, olhar para dentro e para tudo o que comporta o nossos sistema energético, físico e mental. É uma guardiã que nos auxilia no trilhar do caminho interno e do relembrar do poder da nossa própria chama sagrada, que é a nossa chama sexual e criativa e que por sua vez é a nossa essência.

Não é chamada para apaziguar guerras ou conflitos, existe uma aura de respeito e sacralidade aliada a esta divindade que nos obriga a estar simplesmente em silêncio e conexão para realmente sentir a sua magia no nosso coração.

Muitos trabalhos são iniciados com a invocação desta Deusa pois ao ser a guardiã da chama sagrada, e também a primeira filha existe um poder aliado a este ritual: as cidades, segundo consta, eram iluminadas com a magia deste fogo poderoso. É também símbolo de compromisso, responsabilização e juramentos.

Consta também que se manteve virgem (mulher selvagem), e toda esta conjugação reforça a convicção que para conhecermos verdadeiramente é necessário despojar de tudo o que nos contaram ou fizerem querer que somos e olhar para o nosso lar interno e fortalecer a nossa chama sagrada, fortalecer os nossos laços, reconhecer o nosso valor e o nosso sagrado, não interessa entrar em conflitos, dar atenção ao que não merece atenção, e sim ao que realmente desejamos, a força desta Deusa tem base na sua sabedoria e todas nós temos esta sabedoria dentro de nós, basta confiar nos nossos instintos e no nosso coração, estes são sem dúvida os nossos melhores radares.

Por: Diana Faustino | Sacerdócio do Sagrado Feminino | http://sersagradofeminino.wixsite.com/sacerdotisas

Amor sem fim! | Se todas as mães do mundo…

Tudo tem o seu tempo e o seu aprendizado, comecei uma viagem ao meu interior quando recebi na minha vida uma das maiores, mais desafiantes, mais avassaladoras experiências terrenas… ser mãe!

Se por um dia fosse possível que as mulheres conhecessem o seu verdadeiro potencial, seja como mães ou como mulheres a realidade da humanidade seria bem diferente. Inspirada por algumas leituras de Laura Guzman, gostaria de escrever a todas as mães do mundo o quanto aqueles seres maravilhosos, seus filhos, são os seus maiores e melhores guias.

Se todas as mães do mundo pudessem saber que tudo o que ela sente, o que a preocupa ou o que rejeita, o seu filho sente como fosse seu porque energeticamente e espiritualmente estão ligados. Sobretudo, quando ela própria não é capaz de o reconhecer, quando estas emoções fazem parte do seu inconsciente ou da sua sombra.

Se todas as mães do mundo soubessem o poder que tem os comportamentos dos seus filhos/as e as aprendizagens que eles trazem…

Se todos as mulheres do mundo soubessem e conhecessem a força da conexão entre ela e o seu filho ou filhos…

Se todas as mulheres do mundo conhecessem a força do sentimento que um filho/a tem pela sua mãe. O amor incondicional que vive dentro de uma criança é vida, é essência, é pureza, é o divino…

Se todas as mães do mundo soubessem que o seu filho/a chora, é porque ela no seu interior mais profundo também chora muito…

Se todas as mães do mundo soubessem que se um filho/a não se conecta e parece deprimido, é porque os pensamentos das mães, são tristes e de confusão…

Se todas as mães do mundo soubessem que se um bebé rejeita o peito, é porque está mãe lá no seu intimo também está a rejeitar este bebé…

Se todas as mães do mundo soubessem que cada problema que colocamos no estado ou comportamento do nosso filho, não é mais que uma grande oportunidade para esta mãe se conheça e se permita evoluir, numa perspetiva de conhecimento pessoal.

Se todas as mães do mundo pudessem sentir a magia que habita entre ela e o seu filho/a…

Se todas as mães do mundo soubessem que a única coisa que faz uma criança feliz é o tempo que os seus pais lhe dedicam, sob forma de presença e tempo. Os nossos filhos para crescerem felizes só precisam que lhes olhemos nos olhos, precisam de palavras de carinho, precisam de entrega incondicional. Já que, esta nossa atitude vai corresponder ao estado em que eles estão, amor incondicional por nós.

Se todas as mães do mundo soubessem que amar o seu filho também é respeitar os seus desejos e identidade, assim como seria divino que isso existisse na vida de cada mãe…

Se todas as mães do mundo acreditassem que o seu instinto é tudo o que precisam para criar em paz e amor o seu filho/a…

Que todas as mães do mundo um dia sejam donas do seu destino…

Por: Vera Cristina

Agitação | Como aguentar a loucura do dia-a-dia?

Às vezes parece impossível de aguentar, não é?

Tantas coisas a fazer, tanta correria, tantas obrigações…

Horários a cumprir, crianças para cuidar, uma casa para arrumar, trabalho para fazer.

Como aguentar este ritmo?

Como cuidarmos de nós no meio de tanto a solicitar a nossa atenção, o nosso tempo e a nossa energia?

Quanto mais difícil… maior a necessidade.

Encontrar períodos de tempo para respirar fundo, abrandar o ritmo e trazer a atenção para dentro.

Criarmos o nosso espaço pessoal sagrado.

E nutri-lo.

Cada dia um pouco mais.

À medida que se vai criando o hábito, vai sendo cada vez mais fácil encontrar essa disponibilidade.

Na verdade… criar essa disponibilidade.

Organizar melhor o dia e as tarefas e colocarmo-nos na lista dos afazeres!

Cuidarmos de nós.

Encontrar o nosso espaço.

Fazer algo que gostamos de fazer, nutrir a nossa alma, a nossa tranquilidade, o nosso bem-estar.

Como poderemos fazer isso agora mesmo?

Por onde começar?

Não amanhã, não um dia destes…

Hoje mesmo.

Por: Cristina Gomes | Psicoterapia Multidimensional | Terapias de Florais de Anura | Regressão a Vivências Passadas | Reiki Contacto: www.cristinagomesterapias.com

Alimentação para a Primavera | Ayurveda e a Primavera

Chegou a primavera (designada no Ayurveda como vasanta) e com ela a época dos novos começos, de nascimento, da renovação e crescimento, chegou o sol e com ele o fogo e o calor – é nesta estação que tudo abre, as sementes germinam, as flores abrem, as andorinhas aparecem, a nossa natureza desperta. Não é só a natureza que se transforma nós também nos transformamos e com isto sentimos necessidade de nos limparmos da densidade acumulada no Inverno todo este processo de limpeza se vai traduzir no rejuvenescimento do nosso corpo, na limpeza dos acúmulos e dos desequilíbrios, mas nem tudo é tão certo assim pois outras pessoas conotam a primavera com alergias, constipações, etc. esta é a variável que a medicina Ayurvéda tenta tratar no intuito de considerar cada ser um ser com a sua estrutura e o seu biótipo, por isso adapta a estrutura do individuo a cada estação que se designa por Ritucharya (ritu significa estação e charya movimento).

A primavera é uma estação em que o calor aumenta e as temperaturas ficam mais amenas, o sol aparece com mais força e o sol é o agni (fogo digestivo), a energia e o elemento transformador, na Medicina Ayurvédica quando não temos um bom agni o corpo arrefece o surge o aparecimento de ama (toxinas). Cada dosha pelas suas características vai reagir de um modo diferente a cada estação.

A nível da alimentação e com a chegada do tempo mais quente, faz com que a necessidade de alimentos mais pesados e nutrientes seja substituído por alimentos mais leves. O estilo de vida também se altera, pois aparece uma intenção de cuidar mais de si e de olhar mais para si. Nota-se que com a Primavera ficamos mais sociáveis e mais libertos, mais espontâneos, os dias ajudam pois ficam maiores e aproveitamos mais os lindos raios de sol, podendo tirar partido de maiores caminhadas, de uma maior exposição ao sol de fim do dia. Nesta estação não devemos dormitar durante o dia e devemos compensar o nosso corpo com líquidos mais nutritivos no sentido de evitar as securas corporais.

O acordar deve ser cedo para aproveitar o máximo o dia e aproveitar para regularizar a sua rotina diária ( dinacharya) em que as refeições devem ser a horas, devemos tonificar o corpo tomando banho com água tépida mais para o frio, massajar o corpo diariamente de modo a estimular as energias e os fluxos estagnados deve também vestir roupas mais soltas e libertas, a hora de dormir deve ser cedo de modo a que o novo dia surja sem sono e sem cansaço.

O tipo de alimentação é sempre difícil de considerar tendo em conta a estação pois cada individuo tem uma estrutura e um biótipo que reage de modo diferente a este período do ano, mas vou procurar encontrar um termo médio mas qualquer situação pontual deve sempre consultar um médico ou um terapeuta Ayurvédico.

O sabor predominante da Primavera é o sabor adstringente.

O Kapha deve aproveitar esta estação para limpar o inverno tendo cuidado que para ele é esta estação e os acúmulos de kapha são muito, como tal deve inserir na sua alimentação alimentos mornos e mais secos.

São os Kapha os propensos às alergias e às alterações de saúde nesta estação.

Os sabores mais indicados Picante

Adstringente

Os sabores menos indicados Doce

Salgado

Amargo

 

Os Vata saem do que consideram o seu terror que é o frio e desde logo aumentam exageradamente as saladas o que os vai secar mais devem aproveitar esta estação para se poderem nutrir e como eu digo encontrarem o seu desfloramento. Considerando o ghee e um bom azeite como elementos que podem ajudar a nutrir esta secura corporal acumulado no Inverno.

Os sabores mais indicados Doce

Salgado

Adstringente suave

Picante suave

Os sabores menos indicados Ácido

 

Os Pitta vão entrar numa estação que não lhes é muito confortável que é o Verão e devem aproveitar a Primavera para se prepararem para passar o mais comodo possível a estação de maior sofrimento o verão.

 

Os sabores mais indicados Amargo

Doce

Picante muito leve

Adstringente muito suave

Os sabores menos indicados Salgado

 

No geral sucos e batidos podem ser uma boa opção de nutrição adaptando cada suco às necessidades de cada dosha de modo a que a digestão seja mais leve e de fácil absorção. Deve sempre evitar bebidas frias e gelados pois se o metabolismo não estiver a funcionar bem a digestão ficará mais lenta e os alimentos terão maior dificuldade de ser absorvidos. Evite alimentos crus pelo mesmo motivo a dificuldade de absorção, uma das boas opções é cozinhar os legumes a vapor. Cada dosha deverá utilizar a sua massala ( mistura de especiarias para cada dosha)  de modo a estimular o seu prato com os sabores que necessita para que a absorção dos alimentos sejam maiores.

Como é normal deve evitar nesta estação ingerir alimentos pesados, oleosos e fritos, isto considero que não deve ser só nesta estação mas em todas. Procure fazer as 3 refeições diárias, será preferível jantar mais cedo e ao deitar já ter a digestão feita do que lanchar e jantar muito tarde. O que deve evitar como costumo dizer se estamos numa estação em que tudo no nosso corpo abre, devemos aproveitar para introduzir coisas boas, portanto devemos evitar os alimentos fast foods, doces, refrigerantes, comidas frias e bebidas frias e geladas.

Quais as plantas ayurvédicas a ingerir nesta estação:

Como referi atrás estamos numa estação de abertura assim podemos tratar o nosso sistema imunitário como tal devemos incluir uma mistura de plantas Ayurvédicas o Chyavanprash, também devemos estimular um pouco e aqui temos de ter sempre atenção ao biótipo mas as plantas para esta estação são a pimenta preta, a corcuma, o triphala, a erva doce, o gengibre e a canela.

Terapias para esta estação do ano

Para os três doshas:

Abhyanga – Olaeção corporal de modo a desobstruir e estimular todo o corpo

Swedana – banho de vapor

Nasya

 

Para Vata

Shirodhara,

Massagem cabeça e face

Karna purana

Pinda sweda Em casos mais graves de secura

 

Pitta

Shirodhara

Netra vasti

 

Kapka

Nasya – Limpeza nasal para desobstrução de mucos

Udwartana

Por: Vítor José | Contactos: http://ayurveda-gdm.blogspot.pt/

Tempo de renascimento com a nova coluna | A Terra Cura!

Foto: Chanel Baran

A Primavera chegou. Temos o prazer de desfrutar do calor e da luz, que renasceu com toda a sua força e garra. Da terra começam também a brotar, umas mais tímidas que outras, algumas sementes, e flores desabrocham em doçura, delicadeza e generosidade para connosco. Uma nutrição holística, intuitiva e integrada é um dos segredos para uma boa saúde física, emocional e psicológica.

É com este renascimento que nasce este singelo espaço de partilha ~ A Terra Cura ~ que liga a nutrição à saúde feminina em todos as suas áreas: ciclo menstrual, pré-concepção, fertilidade, gestação, parto, amamentação e pós-parto. Espero que aqui encontrem inspiração! Começamos hoje, honrando esta celebração solar e este renascimento, e dando início à transição alimentar para esta época, também com algumas dicas para uma rica, e bem sucedida, pré-concepção e gestação.

“A Igreja diz: o corpo é uma culpa. A ciência diz: o corpo é uma máquina. A publicidade diz: o corpo é um negócio. O corpo diz: eu sou uma festa.” ~ Eduardo Galeano

Nutrir e cuidar em equilíbrio <3

Energia

A energia que nos caracteriza, na Primavera, é a Energia Árvore, que representa uma energia ascendente (a energia que ficou hibernada e decide despontar) e a cor associada é a cor verde. Os órgãos a que temos de ter atenção nesta fase de transição são o fígado e a vesícula biliar. Estes são os órgãos em que normalmente acumulamos a raiva, a ira, a cólera. Pessoas que não exteriorizam estas emoções e têm tendência a conter a ira, normalmente têm problemas nestes órgãos.

Sugestões

Podemos tomar uma infusão de dente de leão, uma planta que nesta fase já celebra a luz do sol, abrindo-se a ele sem medos. Esta planta é recomendada a pessoas que têm dificuldade em tomar iniciativas e muitos medos – por isso nos ajuda tanto nesta época – e ainda limpa alguma toxicidade de proteína animal que tenha sido consumida durante a fase de Outono/ Inverno. Nesta fase, os chás de hipericão do gerês, artemísia ou cevada tostada também são benéficos.

A artemisia não é aconselhada a grávidas ou a quem queira engravidar. Para tostar a cevada basta deixar alguns grãos numa frigideira, em lume muito baixinho, e virá-los de vez em quando. Estão prontos quando ficarem dourados, ou quando os calcarmos com o dedo e os grãos não agarrarem mais na pele. Em chá, a cevada tostada também limpa a toxicidade da proteína animal.

Desde o inverno que sentimos uma sensação de “desenraizamento”, e por vezes são ainda as resistências que colocamos em abrandar nessa fase do ano, em mergulhar na nossa sombra e na escuridão a que os meses de Outubro a Fevereiro nos convidam. E por vezes essa sensação prolonga-se até à Primavera.

Uma das melhores formas de equilibrar esta energia Yin e usufruir dos frutos dessa sombra é andarmos descalços e estar mais em contacto físico com a Natureza. Tocar, abraçar, e observar os seus processos, fechar os olhos e sentir os cheiros. Por vezes pode tornar-se difícil, mas apanhar chuva no corpo, e na cara também, é bom, e cura. Aproveitemos o próximo “Abril, Águas Mil” para receber a energia da chuva! O Tai chi e a Dança são duas actividades que nutrem a Energia Árvore (o “dançar só para mim”, sem preocupações formais ou estéticas, é libertador e tem poder terapêutico. Por isso põe a tua música favorita e dança!).

Na cozinha

Quando for possível também nos ajuda consumir raiz de bardana (não o chá, mas sim a raíz – é um produto macrobiótico), que pode ser salteada, ou ser adicionada a massas. Vai ajudar-nos a enraizar. Aconselho a usar até um pouco durante a Primavera, caso os emoções tenham sido difíceis de gerir no Inverno.

Os melhores cereais para estes órgãos mais sensíveis na Primavera são a cevada, o trigo, a aveia, os couscous e as massas de trigo integral. No entanto, cada vez mais há que ter em atenção as quantidades, na ingestão de trigo. Ainda pertencentes a esta estação – e uma alternativa para quem é intolerante ao trigo – pode ainda escolher entre o amaranto, a quinoa (atenção também para não abusar destes, tendo em conta o factor da sustentabilidade e impacto ambiental no consumo excessivo de produtos não autóctones), o milho miúdo (ou millet), o trigo kamut, triticale (pouco encontrado) e ainda o teff (um cereal da Etiópia). Recomendo para quem sofre de intolerância ao glúten e tem carências recorrentes de ferro/ anemia crónica, que com esta farinha pode fazer um pão fermentado conhecido por Injera.

Para fortalecer estes órgãos escolhemos vegetais de crescimento ascendente – como o alho francês, as nabiças ou os grelos – e ainda, das leguminosas, as lentilhas (e qualquer tipo de feijã, pois fortalece os rins e a bexiga, que normalmente sofreram muito no inverno).

Nos sabores, é o ácido que estimula a Energia Árvore, por isso sejam bem vindos os vinagres caseiros à base de fermentados (kombucha ou jun – a mãe de vinagre), o famoso chucrute ou kimchi (este último já é um pouco picante), e o Miso, temperado com shoyu ou tamari. Comer um pão com fermentação natural e lenta (“sourdough bread”, ou com massa mãe ou o Injera ) confere um sabor mais ácido e de fácil digestão, principalmente se trabalhamos com massas à base de trigo.

O consumo de bivalves pode ser benéfico para o fluxo adequado da energia no fígado e vesícula. Nesta altura do ano já só queremos cozinhar a vapor, cozer ligeiramente ou escaldar. Já não queremos assados, nem comidas cozinhadas a altas temperaturas. Na saúde feminina, visto que renasce a luz da primavera, aqui seguem umas dicas para as mulheres gestantes que em breve irão dar à luz.

Folhas de framboesa – As folhas de framboesa ou Rucus idaeus, devem ser colhidas antes da floração (Verão) ou seja, na Primavera. O melhor momento para as colher é ao meio dia, num dia solarengo, depois do orvalho ter-se evaporado. Colocar luvas por causa dos espinhos, escolher folhas verdes e jovens. Secá-las em desidratador ou num molho, penduradas ao contrário num lugar seco por 1 a 2 semanas, dependendo das temperaturas. As folhas podem ser consumidas em chá ou infusão. Contém fragrina um alcalóide conhecido por tonificar e fortalecer as paredes intra uterinas. São altamente ricas em vitamina C, e ainda cálcio e ferro, vitamina A e B e muitos minerais. É um estimulante para a fertilidade tanto feminina como masculina, principalmente quando combinada com o Trevo dos Prados ou Trifolium pratense (atenção pessoas com epilepsia não podem consumi-lo). A infusão destas folhas ajuda ainda nas hemorragias do pós-parto, a aliviar a dor em trabalho de parto, e estimulando a produção de leite materno. Consta ainda que estimula as contrações uterinas, acelerando o trabalho de parto.

Lembrem-se de pedir sempre autorização e terem uma atitude de respeito para com a planta, antes de colherem algumas das suas partes.

Urtiga , É na Primavera de Março que começam a surgir as melhores amigas da anemia: as urtigas ou Urtiga dioca, neste caso.

Para as pessoas mais carentes em ferro recomendo cozinharem sempre em panelas e frigideiras de ferro negro, fundido. São objectos bem caros, mas que compensa mais tarde o investimento, pois permitem uma rápida absorção do ferro, principalmente nas mulheres.

Se têm perto de vocês uma floresta virgem com urtigas, incentivo a irem apanhá-las. O truque para não se picarem consta em suster a respiração sempre que tocar na urtiga – comigo resulta! Para as comerem cruas, em salada, coloquem-nas dentro de um saco de plástico com um

pouco de água e esfreguem bem, mas com a delicadeza suficiente para não as destruírem. Para as cozinhar em sopas devem colocá-las apenas no fim, não as deixando nunca ferver, ou chegar a altas temperaturas senão perdem-se todos os nutrientes!

Existem mulheres que na gravidez alteram a infusão destas duas plantas e investem no último mês só folhas, e depois urtiga, para garantirem a quantidade suficiente de vitamina K no sangue antes do parto. A infusão de urtiga é bastante benéfica para os rins e ajuda ainda a dissolver e eliminar pedras nestes órgãos. Aumenta também o grau de fertilidade nas mulheres e homens, nutre a mãe e o feto, atenua cãibras e espasmos dos membros inferiores, e, pelo seu elevado teor em cálcio, diminui a dor no pós parto. O sumo fresco de urtiga – tomado em doses de colheres de chá – reduz a hemorragia no pós parto.

Que estas sugestões vos permitam redescobrir em vocês um lado que está apenas adormecido, e a que acedemos, quando nos conectamos e sabemos como nos nutrir. Que acedamos todas a essa magia da nossa Matriz.

Alertamos que estas dicas não pretendem substituir nenhum tipo de diagnóstico médico ou qualquer tipo de tratamento, em caso de dúvida aconselhamos complementar-se esta info com um profissional de saúde.

Texto: Joana Martins

~ As Mães d’ Água são um movimento cívico inspirador que promove os benefícios (e beleza!) do Parto Natural, Na Água ~ www.maesdagua.org

Équinocio | Águas de Março!

Foto: Chanel Baran

O equinócio sempre me deu vontade de limpar, de transformar tudo na sua forma mais simples e pura. E claro, a limpeza e a pureza remetem-me para o potencial transformador da água.

Hoje, sentindo a brisa do vento na cara, a minha vontade é ir em direcção à praia, descalçar-me e deixar que as ondas frias dos primeiros dias, feitos de promessa de calor, me toquem os pés e me purifiquem. Vontade de deixar que as ondas levem tudo o que acumulei este inverno e que já não me serve mais.

A água é transformadora, purificadora. A água limpa-me e renova-me.

Fecho os olhos, e imagens de momentos ritualísticos, que passei com a água, invadem-me a memória de uma forma tão vívida, que quase sinto o cheiro da sua frescura.

Vem-me à memória um momento passado na Índia, um mergulho no rio Ganges, na parte mais perto na nascente onde os homens ainda não conseguiram poluir. Eu, toda vestida de branco, a entrar na água para oferecer flores à mãe Ganga. Em som de fundo, misturado com o poderosíssimo cantar do rio, cantamos o mantra “om ganga mai”. E evoco a sensação de Gratidão à Vida que aquele momento deixou gravada em mim.

Vem-me à memória o momento em que, juntamente com mais três mulheres lindas, entrei nua, numa noite de lua cheia, na piscina da fonte santa. A fonte santa é um lugar muito especial, hoje em dia ao abandono – umas pequenas casinhas construídas sobre uma linha de águas que, dizem os antigos, são sagradas e boas para cuidar os males da Alma. Cantávamos “Nibi Wabo”, para a lua e para nós. Simplesmente nos deliciávamos com o facto de estarmos vivas. Evoco a sensação de sacralidade e de irmandade que guardei em mim nessa noite.

Vem-me à memória a água da piscina do parto, onde o meu filho nasceu e eu renasci. Memória intensa e poderosa, com muitas nuances, carregada de emoção e sentimento. A Água que nos acolheu. A Água que transformou a minha dor em confiança e poder. Evoco a memória do nascimento. Deixo bem viva em mim a lembrança de que renasço a cada dia.

Avozinha água, graças te dou, por abrires o meu coração, à alegria e ao amor.

Texto: Rute Ferreira

~ As Mães d’ Água são um movimento cívico inspirador que promove os benefícios (e beleza!) do Parto Natural, Na Água ~ www.maesdagua.org

Move o teu corpo | A Dança e os bloqueios!

Tu és, tal como eu, alguém que gosta de dançar? A dança preenche a tua vida como se fosse oxigénio para a Alma? Ou é um raio de Sol que entra pela janela num dia em que ligas a música e danças livremente, para aliviar o stress? Ambas as opções são válidas e possuem uma riqueza especial. Porém, vamos olhar para a dança de uma maneira diferente: vamos perceber o que é que os movimentos mais difíceis para nós nos podem mostrar algo sobre o que estamos a sentir e que medos temos vindo a acumular.

Quando o teu corpo flui através da música, que dificuldades encontras nos movimentos de dança? Movimentos com o peito, giros, movimentos de anca? Tal como as doenças manifestam algo emocional e/ou espiritual que deve ser perdoado e curado, o mesmo acontece com a dança. A observação tem sido uma grande aliada e “mestra” na experiência que tenho vindo a adquirir – e que muito agradeço e honro! – até hoje, como bailarina e professora de Dança Oriental.

Se moves o teu peito e sentes desconforto ou pouca flexibilidade, provavelmente és uma pessoa introvertida, tímida e com dificuldade em confiar e amar. Ou, então, o inverso: sentes dificuldade em permitir que te amem. Também pode revelar que carregas algumas mágoas que ainda não foram devidamente limpas e perdoadas.

Se os movimentos que sentes mais “presos” são os que saem das ancas e da zona pélvica, talvez tenhas algum bloqueio/medo relativamente à tua energia sexual. Pode ser algo consciente ou não. Sabes que carregamos, medos no nosso útero e vagina. Por vezes memórias de outras vidas ou de outras gerações. Mas não faz mal! Ter consciência é o primeiro passo para o perdão e para a cura!

Caso a tua dificuldade seja em manter o equilíbrio enquanto giras, pode indicar que és uma pessoa insegura ou que estás com algum medo ou preocupada com alguma situação. Foca-te na zona do teu umbigo. O teu centro de equilíbrio. Contrai a musculatura abdominal e os glúteos. Vai ajudar!

Seja qual for a dificuldade com que te depares quando danças, vê-a como uma aliada para te libertares de algo que já não precisas! A partir do momento em que te tornas consciente do que “não está bem”, tens tudo o que necessitas para te curar e amar. Confia!

Por: Liliana Brandão | Contacto:https://www.facebook.com/lili.brandao.7?fref=ts

Paixão, Amor, Beleza e Erotismo | Deusa Vénus

Vénus é uma deusa romana conhecida como a Deusa do amor, da beleza e do erotismo.

Os mitos contam que nasceu de uma concha madrepérola, outras histórias contam que é filha de Júpiter e Dione.

As imagens associadas a ela são a concha e a nudez, é interessante fazer o paralelismo entre a sua figura nua da cintura para cima deixando à vista o seu peito, sabendo que o peito simboliza o alimento que damos ao mundo (é no peito que o bebé vem buscar o seu alimento) e se olharmos para esta Deusa, compreendemos o potencial do amor nutridor que oferece: é a representação do amor em figura humana, do amor por si mesma através do seu erotismo e disponibilidade para a sedução por ser simplesmente quem é. Temos também a concha madrepérola que tem em si a suavidade de cetim e o arco-íris, para mim este tipo de concha é um representação maravilhosa da essência da mulher, da sua suavidade, vulnerabilidade e delicadeza, o arco-íris remete-nos para os sonhos de menina que cada uma de nós deve manter intacto dentro do coração para que a nossa criança interna seja nutrida ao longo dos tempos.

Uma mulher quando está na sua natureza, quando está consciente do seu próprio poder pessoal e está apaixonada por si mesma é uma mulher que emana uma energia luminosa e que seduz facilmente, não é algo propositado, é algo natural. É uma mulher de olhos brilhantes e palavras calorosas que preenchem o coração de qualquer pessoa que atravesse o seu caminho.

Luís de Camões refere-se a ela como protectora e interceptora dos navegadores portugueses, talvez porque reconhece neles a força, o fogo da paixão e a arrojada energia de vénus: sair para o desconhecido para descobrir o que existe para além da linha do mar requer que estas particularidades estivessem presentes na alma daqueles marinheiros.

Todos os dias, todas as pessoas são convidadas a sair da zona de conforto, a navegar dentro de si e também a ultrapassar a linha do horizonte, passar para lá do conhecido contudo para dar este passo é necessário o fogo interno estar conectado com a consciência pessoal para tirar  o melhor proveito destes novos descobrimentos.

É a paixão, o erotismo e a disponibilidade da Deusa Vénus que nos ensina que também temos tudo dentro de nós e que podemos usufruir desta energia regeneradora para avançar na vida sem medo. Estar em contacto com esta Deusa é estar em contacto com um amor próprio tão profundo que nos obriga a reconhecer a nossa sombra como mestre, os nossos medos e os nossos preconceitos. Ela ensina a compaixão pelo que lixo que cada um guarda dentro de si e relembra-nos que o podemos transformar em pérolas preciosas.

Por: Diana Faustino | Sacerdócio do Sagrado Feminino | http://sersagradofeminino.wixsite.com/sacerdotisas

Disciplina e organização | A importância da consistência!

Quando desejamos mudar algo na nossa vida é comum comprometermo-nos inicialmente com esse objectivo mas, à medida que o tempo vai passando, a nossa força para permanecer comprometidos diminuir.

É como se o impulso que nos levou à acção não tivesse sustentação para que continuemos focados no processo.

E porque é que isso acontece?

Será que na prática não queremos mesmo que as coisas mudem?

Será que mudar é possível?

Ou por mais que façamos iremos sempre retomar o velho padrão de funcionamento?

A verdade é que boa parte das vezes não estamos simplesmente habituados a ser consistentes. A treinar a nossa capacidade natural de autodisciplina. Rigor. Coerência. Nem sempre é fácil mas, com certeza, todos nós nos conseguiremos lembrar de algo que queríamos muito e, por mais que tivéssemos tido de nos esforçar ou até contra todas as previsões (nossas ou alheias), acabamos por alcançar!

A nossa motivação permaneceu lá. E foi ela que nos fez levantar, dia após dia, focados no objectivo!

Assim, em primeiro lugar convém termos bem claro na nossa mente quais são os nossos objectivos. O que queremos alcançar? Qual o prazo que determinamos previamente para o fazer? Depois de termos isto bem claro é muito útil sermos concretos e operacionais. O que necessitamos de mudar? Que passos são necessários para chegar lá? Que acções concretas preciso tomar para me aproximar e concretizar os meus objectivos?

De pouco adianta permanecer no vazio, centrado num objectivo que não é concreto, nem nos parece sequer real. Um objectivo que nem nós acreditamos que seja possível de alcançar!

Quando acreditamos, quando pensamos nos passos que necessitamos e traçamos um plano de acção… aqui entra a consistência. A consistência e a disciplina para permanecermos focados, realmente comprometidos connosco e com o que realmente queremos. Se nós não o fizermos, ninguém o poderá fazer por nós!

Naturalmente poderão surgir contratempos, desafios, dificuldades… e é o nosso comprometimento que nos vai ajudar a ultrapassar com sucesso cada um deles!

É importante desenvolvermos também a paciência e a compaixão connosco mesmos em relação aos nossos próprios processos.

Nem sempre mudar é fácil… Mas é possível!

Se tivermos em conta que demoramos mais ou menos 21 dias a criar um novo hábito e aproximadamente 90 dias até que este novo hábito se torne automático, já temos aqui uma boa referência.

Se estivermos à espera que as coisas mudem como que por magia, e que simplesmente porque um dia acordamos e queremos fazer diferente, toda a nossa realidade se irá transformar… muito provavelmente ficaremos desmotivados e frustrados.

Habitualmente não é assim que se processa! Precisamos de tempo e de permanecer e insistir no novo hábito para que o mesmo se vá tornando natural. Para que o mesmo vá apagando e como que substituindo o anterior. E provavelmente quanto mais enraizado estiver o hábito anterior, maior o esforço e a energia que precisaremos despender nesse processo.

Isso não precisa de ser um factor de desmotivação. Muito pelo contrário! Poderemos utilizar esse processo para trabalhar, por exemplo, também a nossa capacidade de auto-observação e de auto-reforço. É muito importante aprender a desenvolver a gratidão por todos os passos que já demos e pelas conquistas ou pequenas vitórias alcançadas!

Isso irá dar-nos força para continuar, na direcção do melhor que a vida tem para nós!

 

Sugestão de exercício:

Faça uma lista com os seus objectivos para o próximo mês, para os próximos seis meses e para o próximo ano.

Determine as acções em concreto que precisará de realizar para se aproximar desses objectivos, um por um.

Abra-se para a sua intuição em todo este processo. Quando a intuição e a mente se unem, abrimos campo para infinitas possibilidades.

Vá assinalando as tarefas que vai realizando, e festeje cada passo dado na direcção dos seus objectivos!

E lembre-se, se mudarmos 1% em cada dia, ao final de um ano teremos mudado 365%!

Por: Cristina Gomes | Psicoterapia Multidimensional | Terapias de Florais de Anura | Regressão a Vivências Passadas | Reiki Contacto: www.cristinagomesterapias.com

Padrões em sonhos | O que significam os nossos sonhos?

Uma das formas de comunicação mais utilizadas pelos anjos são os nossos sonhos, porque estamos fora do controlo, estamos a dormir e apesar de ainda podermos estar conscientes, a forma como controlamos a mensagem é bastante reduzida. Os anjos podem mostrar-nos nos sonhos as mais variadas tipologias de consciencialização, mas nos últimos tempos o que se sente mais é os sonhos para consciência dos padrões do inconsciente.

É uma bênção este tempo, pois mostram-nos pelos sonhos o que não compreendemos acordados, o que está em lopping na nossa mente inconsciente enquanto vivemos o nosso dia a dia. Muitas vezes criando experiências sem darmos por isso.   É uma maravilhosa bênção, pois compreendemos as criações pelo medo, as criações que nos trazem as experiências que conscientemente estamos a tentar manter longe de nós. Os Anjos ajudam-nos a Ser divinamente livres.

Quando experiênciamos estes sonhos, onde os medos estão em reflexão, é para agradecer, ao agradecer mudamos o registo em dois sentidos, primeiro aproximamo-nos dos nossos anjos, permitindo que eles existam sempre em manifestação para nós, agindo sempre para o bem maior da nossa aprendizagem, depois, mudamos a frequência de medo, para uma frequência de consciência. Em consciência a nossa existência e realização é verdadeiramente mais pura, mais tranquila e honrada. Os sonhos menos agradáveis, são muitas vezes formas amorosas de compreendermos o que estamos a criar e libertarmos essas estruturas da nossa vida. Como diz o Arcanjo Miguel: tudo é amor. Lembre-se disso!

Por: Filipa Fautino | omshantilx.com | filipa.faustino.angels@gmail.com

Deusa Diana | O que tem a dizer sobre nós?

As deusas representam arquétipos (figuras tipo) que todas temos dentro de nós que podem manifestar-se. Dentro da minha realidade, portanto o que eu acredito, são energias às quais damos uma intenção e naturalmente um nome, tal como também nomeamos um sentimento. Não que isto retire importância às Deusas, muito pelo contrário, isto permite que compreendamos profundamente a energia de cada uma e como se expressa.

As Deusas estão ligadas às mitologias, que são portanto mitos ou histórias com personagens que podem ou não ter existido fisicamente, contudo a sua energia está presente e isto é algo que não podemos negar. Acima de tudo ideia desta partilha não é estereotipar, é conduzir a um entendimento profundo de uma parte de nós, contudo esta parte pode ser denominada de muitas formas. Existem centenas de deusas, muitas delas estão em várias culturas e aquilo que representam pode também mudar de cultura para cultura, vamos portanto manter a mente aberta e permitir que novo conhecimento venha até nós e nos nutra.

A partir desta data, todas as semanas falarei um pouco de uma divindade, a sua simbologia, como a sua energia actua em nós e como podemos nos conectar a ela. Quando perguntei aos meus Guias (que aqui se incluem as Deusas que me regem) com que Deusa poderia começar, em género de piada cósmica disseram: Diana, a maravilhosa Deusa da Lua e da Caça.

Comecemos então com a Deusa Diana,

É conhecida como uma deusa virgem, porém sabemos que virgem pode ter muitos significados, por um lado uma mulher selvagem ou mulher livre, por outro lado significa alguém que ainda não iniciou a sua actividade sexual contudo neste contexto temos a presença de uma certa perda de “estatuto” (falaremos noutro artigo sobre este tema). Todavia a castidade pode ser vista como algo que não foi corrompido, portanto uma mulher ou homem que não foi educado dentro dos padrões de uma sociedade mas que por sua vez manteve a sua natureza selvagem, isto é, uma índole pura ligada ao que tem de mais básico dentro de si: a sua essência.

A Deusa Diana está ligada à Lua, à caça e naturalmente à castidade.

Se desejarmos aprofundar um pouco estes desígnios podemos compreender que a representação da lua tem várias fases consoante a incidência ou não da luz solar, sabemos que a lua não tem luz própria, não significa que não tenha valor, mas o seu movimento continua a ser contínuo com o auxilio do sol (portanto a Lua precisa do Sol para iluminar a noite e para dar força a este movimento interminável da vida e o Sol da Lua para marcar a mudança e o compasso de tempo das gestações, portanto energia masculina e feminina em conexão total). Interessante também a saber é que Apolo é considerado o Deus Sol e é irmão gémeo de Diana, e no céu temos sempre um dos astros presente, um dá lugar ao outro diariamente numa dança circular e de veneração à Terra. Mais uma vez, o feminino e masculino a liderar os ciclos da Terra.

Como é uma divindade virgem, portanto ligada à sua natureza mais profunda, é natural ser a deusa da caça pois ao respeitar profundamente a sua própria natureza também respeita profundamente a natureza dos que eram caçados, portanto apenas caçava consoante as necessidades e sempre respeitando e honrando o animal, mesmo no seu leito de morte. Ajuda-nos também a olhar para a morte como algo natural, que merece ser honrado e respeitado, tudo tem a sua magia e encantamento: seja o inicio, seja o fim.

Apesar de na mitologia os deuses aparecerem com pouca roupa a cobrir o corpo, a Deusa Diana é vista como uma guerreira com a sua devida vestimenta e com um arco e uma flecha, que segundo os mitos era bastante assertiva, e será que não é assim uma mulher que é fiel à sua natureza?

A energia desta maravilhosa Deusa manifesta-se em nós aquando a nossa procura pela nossa verdade mais básica, o que realmente nos faz feliz, que somos seres cíclicos e que devemos honrar e respeitar cada ciclo seja o da vida, seja o da morte (renascimento), representa a necessidade constante de ligação à natureza para nunca nos esquecermos do fio condutor da vida e que mesmo vivendo no meio dos perigos, ela é considerada uma mulher destemida e assertiva.

Estará mais presente em nós em  momentos que sentimos que estamos bem na nossa simplicidade e solitude, momentos em que não existe espaço para mais ninguém no nosso sistema emocional, momentos em que sentimos que a caminhada se faz sozinha. Para nos conectarmos com esta energia basta ficar na natureza uns momentos e despir de todas as ideologias, crenças, histórias e mitos, despir de todos os pesos e simplesmente sentir a liberdade pura a expressar-se. Não é um processo simples, mas é possível.

E ficar assim, apenas… a sentir a nossa verdadeira liberdade.

Por: Diana Faustino | Sacerdócio do Sagrado Feminino | http://sersagradofeminino.wixsite.com/sacerdotisas

É Primavera mas… Porque não me sinto a florescer?

A Primavera convida-nos a reiniciar o processo de nos voltarmos a abrir, a ligar ao exterior, a sair do casulo onde nos resguardamos mais durante os meses de Inverno. É também na Primavera que somos convidados a desfrutar do florescer das sementes que fomos lançando anteriormente na nossa vida e nos nossos projectos. O tempo muda, os dias começam a ficar mais longos, apetece mais trazer leveza à nossa vida! No entanto, nem sempre é assim.

É comum que algumas pessoas se sintam ainda mais tristes e abatidas com o início da Primavera. Porquê? Porque é o momento em que o contraste entre o que se passa fora de nós e o que se passa dentro se pode tornar maior. E mais arrebatador. Quando nos sentimos desmotivados na nossa vida e sentimos que esta está muito aquém do que gostaríamos que fosse… olhar para a natureza e perceber toda a sua força e beleza pode ser muito doloroso.

É um contraste e um confronto que muitas vezes nos dói.

“Porque não me sinto eu a florescer?” podemos perguntar-nos. “Porque cá fora tudo está a tornar-se mais belo e eu me sinto assim… na mesma?” Pois é. Para que possamos observar esse processo de florescer é necessário antes de mais cuidar da terra. Uma flor precisa de condições para desabrochar. Nós também!

Como andamos a cuidar da nossa terra? Que é o mesmo que dizer, como andamos a cuidar de nós, do nosso corpo, da nossa estrutura, da nossa casa interna? Como andamos a nutrir as nossas raízes? Como andamos a alimentar-nos, a todos os níveis? Sentimo-nos bem na nossa pele? No nosso corpo, na nossa casa? Se não, como podemos fazer para nos sentirmos melhor? Em concreto? Se não gostamos do que andamos a colher… é muito importante observar o que andamos a semear na nossa vida.

E mudar essas sementes. Este é um tempo que nos convida à mudança! Toda a natureza está a convidar-nos a desabrochar. A questão é decidir se queremos e estamos dispostos dar os passos necessários para que esse processo possa acontecer. Ou não… Somos completamente livres para decidir.

O que nos afasta dessa versão mais bonita de quem somos ou poderemos vir a ser? Como seria a nossa vida se nos sentíssemos a flor mais bonita do nosso jardim? O que quereríamos à nossa volta? Como nos sentiríamos? O que ajudaria o nosso coração a abrir-se mais à vida, às pessoas e ao mundo? O que temos para oferecer? Inclusive, e antes de mais, a nós mesmos?

Cuidarmos de nós é prioritário. E no momento em que decidimos fazê-lo… magia começa a acontecer ao nosso redor. Só precisamos sintonizar-nos, fazer a nossa parte e… abrir os olhos para ver!

Por: Cristina Gomes | Psicoterapia Multidimensional | Terapias de Florais de Anura | Regressão a Vivências Passadas | Reiki Contacto: www.cristinagomesterapias.com

Equinócio | Está na hora de renascer!

Para toda a energia angélica, o equinócio é sinal de mudança, de profunda conexão e profundo amor. Na vida, é energia do acordar, do confiar, do crescer apesar de tudo o que rodeia, de saber que todos os dias começamos de novo. O Equinócio traz-nos a energia do semear, semear o que queremos energicamente profundamente na terra, na matéria, na estrutura que em estamos e na estrutura que somos.

A verdade é que toda a estrutura de amor se vê um pouco por todo o lado: nas flores, na luz que entra na terra, na forma como toda a natureza acorda e se começa a mover, renascendo para a vida, novamente. Nós humanos em toda a nossa sacralidade, fomos esquecendo este ritmo, o ritmo da natureza, um ritmo ao qual a nossa mente consciente já não responde, mas ao qual o nosso inconsciente e corpo continuam suavemente, levemente, quase escondendo da mente consciente a fazer, a responder.

Então é o tempo de nós, enquanto Seres na experiência de olhar bem para dentro, para o nosso terreno interno, para as sementes e para a qualidade das sementes que queremos semear, que estamos já a semear. Os Anjos amorosos, relembram-nos que pudemos sempre contar com eles, com a sua força e com o seu amor, até com o seu discernimento, que nos traz clareza para olhar de frente e em amor para nós mesmos.

O equinócio traz a consciência da Luz do eu, da Luz que habita em nós, independentemente de tudo o que achamos que somos, da forma como vemos o mundo, é como se trouxesse à nossa mente e estrutura ancestral adormecida nas nossas células a consciência da nossa pertença à Luz, ao sagrado, a esta própria terra, à própria Natureza.

Todo o nosso sistema-matriz, entra numa profunda cerimonia de reconexão à natureza nesta altura, derrepente, tornamo-nos outra vez conscientes da beleza que nos rodeia e que faz parte integrante a todos os momentos da nossa existência de tudo o que somos, como se fosse a forma da natureza, da vida, da nossa estrutura angélica nos relembrar da magia do momento. Da magia da própria vida.

Com esta energia de começo, a forma como permitimos a ação dos nosso anjos, é muito mais clara e consciente. É como se a beleza que reconhecemos fora, nos desse autorização interna para durante alguns dias mergulharmos na nossa própria beleza de alma. Esta beleza é visível, é latente, é vivida em cada átomo da energia do momento presente.

Então permite-te entregar nesta cerimônia do eu, da vida, permite-te ser nutrido pelo caminho e pelas estrelas, pela tua ancestralidade angélica e pela tua ancestralidade familiar. Permite-te, em profundo amor, nem que seja por segundos, voltar a encontrar-te!

Por: Filipa Fautino | omshantilx.com | filipa.faustino.angels@gmail.com

Está na hora de desabrochar | Até já Caverna!

Depois de três meses a hibernar, a digerir processos mais ou menos intensos, chega finalmente a Primavera.

A primavera apresenta-se como a grande guardiã da nossa sabedoria que despertou durante os longos meses de inverno. Ela chega com todo o seu esplendor, toda uma nova harmonia, uma explosão de cores e sabores que deixa qualquer abelha frenética com a abundância de pólen de boa qualidade para produzir o seu mel, tal como a mulher no seu período fértil a primavera é um convite a desfrutar às coisas boas que a vida tem para oferecer: o amor, a fertilidade e a abundância. A Primavera simplesmente seduz qualquer pessoa.

Esperámos todos por esta renovação, abrem-se as janelas, põem-se a uso as roupas mais leves, há boa disposição, o ser humano também abre mais o seu coração nesta época tal como as flores se abrem à vida,  existe uma nova possibilidade, uma maior consciência sobre o que se é realmente, o que os outros são e este mundo onde escolhemos fazer os nossos processos vivenciais.

O cupido por estes dias tem novos aliados, já não trabalha sozinho, a energia ajuda, as hormonas activam-se e os homens e as mulheres disponibilizam-se à dança do amor, a Primavera é, portanto, a fénix que morre e renasce depois de um inverno frio, violento em que a chama da vida estava acesa no mínimo.

Hoje dia 21 é dado o sopro da vida até ao próximo inverno onde todo o processo se desencadeia como se fosse uma roda viva, os dias começam a tornar-se mas quentes, as pessoas mais unidas, a vida volta a fluir: é uma explosão de cores nos olhos e coração de cada um é o arco-íris que ganha o seu esplendor no céu depois da grande tempestade.

É a estação da liberdade, os pesos foram solenemente libertados durante os últimos seis meses, como se um pente fino penteasse a nossa alma e egos para que fosse libertado tudo o que já não faz parte de nós e das experiências que queremos para a nossa vida, tudo o que teimava por não sair o pente passou e levou. A sede de controlo e manipulação do ego cedeu lugar à resignação e a à permissão para a vida fluir, o universo e o espirito já não compactuam com ilusões.

Este tempo de caverna que passou não foi fácil nem foi levado de forma leviana, e não acredito que haja alguém que não sinta a Primavera como um renascer, contudo apesar da primavera nos dar força para remar rumo ao destino, o inverno dá-nos estrutura, perseverança e resiliência para nos mantermos de pé. A vida torna-se mais leve se soubermos dar a cada estação um espaço no nosso coração: as nossas células precisam desse novo integrar e de cada uma destas novas fases para se fortalecerem. Entrar em processo caverna é entrar em contacto profundo com a nossa imensidão, é voltar ao útero da mãe, é renascer.

E a Primavera dá-nos a oportunidade de vivenciar com todo o poder o novo “eu”. Adeus caverna! Bem-Vinda Primavera!

Por: Diana Faustino | Sacerdócio do Sagrado Feminino | http://sersagradofeminino.wixsite.com/sacerdotisas

Despertar o Equinócio | Exercício para a Primavera!

Eis que chega a Primavera, a estação das flores, dos doces aromas, das variadas cores! Eis que chega a Primavera, altura para libertar o que já não nos interessa e para nos focarmos no nosso caminho.

Já sabem que a Dança é uma (das incontáveis) possibilidades para relaxar o corpo, a mente e nos conectarmos com a nossa energia Divina. Todavia, o exercício que vos proponho hoje é um pouco diferente. Não envolve dança. Mas é uma rotina que podem incluir no vosso quotidiano e, certamente, vos ajudará (também) a usufruírem mais da “vossa” dança.

Proponho um “tempo para vocês”; um tempo para se nutrirem, tal como a Mãe Terra nos nutre a nós!

Assim que acordares, antes de te levantares da cama, permite-te sentir o teu corpo despertar. Mexe os dedos das mãos, dos pés, espreguiça-te e sorri. Imagina como queres que seja o teu dia. Visualiza-te a cumprir cada uma das tuas tarefas para esse dia, com alegria e tranquilidade. Vê-te sorrir em cada um desses momentos. Sente-te presente!

Agradece ao Universo o novo dia! Levanta-te! Estás pronta(o) a iniciar o teu dia!

Por: Liliana Brandão | Contacto:https://www.facebook.com/lili.brandao.7?fref=ts

Energia Masculina | Os ciclos cósmicos da Natureza!

Todas as estações do ano refletem um ciclo cósmico e consequentemente ciclos humanos. As estações do outono e inverno desenvolvem a nossa energia feminina, mais recetiva, intuitiva, de espera e de desenvolvimento interior. As estações da primavera e do verão, desenvolvem mais a nossa energia masculina, da ação, do movimento, do resultado e da criação.

E, neste início da estação da primavera, convida a percebermos e conhecermos a nossa essência, os nossos sonhos e propósitos de vida, que andamos a “alimentar”, para que agora passemos à prática!

É uma energia de colocar em movimento e de Agir!

É tempo de perceber o nosso interior, os nossos pensamentos e agir em função de valores mais elevados, tais como o Amor, aceitação e a confiança!

É tempo de perceber que todas as possibilidades estão em aberto, há um lugar de abundância e de manifestação para todos!

Este ano 2017/1 pede ação, coragem e construção de novos caminhos, e que não se compadece com desculpas e justificações no sentido de adiarmos os nossos sonhos! Estamos a ser apoiados, mas para isso temos de dar o primeiro passo! Este passo deve refletir a consciência de que somos o que precisamos para sermos felizes e plenos! Este passo deve manifestar a energia criadora que todos temos, de forma única e distinta, mas que contribui para o equilibrio universal.

Esta vibração universal pede-nos que nos alinhemos com a nossa verdadeira identidade e verdade interior e agir um função disso!

É um ano de Iniciação para todos aqueles que estão ao serviço e alinhados pela consciência de que o Bem acontece dentro de nós mesmos, dentro das nossas famílias e amigos, pois só assim fazemos bem ao mundo!

Por: Helena Sousa | Numeróloga |Contacto: https://www.facebook.com/Centelha-Mágica